segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Aiko não foi "apenas um cão"...

Já escrevi tanto aqui, falei das dores e alegrias humanas, das coisas que vejo, daquilo que penso. Hoje, mesmo sem tanto ânimo, não pode ser diferente e preciso expressar minha tristeza por ter perdido meu companheiro querido no último dia 29. Imagino que será um post pouco interessante, que nem inspire comentários, mas asseguro que entre tantos os que escrevi será, sem dúvida, o que melhor reflete minha alma nesse instante.  

Começo falando sobre o que muitos devem considerar um exagero, afinal, era "apenas um cão"... Aiko, "apenas um cão", foi meu companheiro por quase 11 anos. Durante todo esse tempo, houve muitas e muitas vezes que meus momentos mais felizes foram proporcionados por ele. Foram tantas as horas em que minha única companhia era Aiko, "apenas um cão"... Alguém que nunca se importou se eu tinha dinheiro ou não, se era bonita ou feia, gorda ou magra, se estava de mal-humor, se tinha tempo ou não, se eu envelhecia, enfim, numa entrega absoluta e incondicional sempre esteve ali, completamente pra mim.

Nunca subestimei sua capacidade de me compreender. E nossa comunicação era tamanha, que acredito mesmo que fosse capaz de me entender melhor do que ninguém. Agitado, sempre fazia uma festa louca quando eu chegava. Diante disso, não havia tristeza ou aborrecimento que pudesse persistir por muito tempo. Mas em momentos graves, como na ocasião da morte de minha mãe, a festinha dava lugar a lambidinhas suaves e uma cabecinha gentilmente debruçada sobre o meu colo, respeitando minha dor e se solidarizando com ela, me dando conforto e motivos pra seguir em frente.  

Aiko, que era "apenas um cão", soube me transmitir a verdadeira essência do que significa amizade, confiança, respeito, paciência e compaixão, contribuindo imensamente pra que eu me tornasse uma pessoa um pouco melhor. Tentei retribuir o tanto que ele me ofereceu com tudo o que esteve ao meu alcance, mas, inevitavelmente, sempre fica a incômoda sensação de que poderia ter feito mais e melhor. No último sábado, antes da derradeira ida ao veterinário para colocar fim ao cansaço e dor que já haviam se estabelecido por conta do peso da idade, fiz uma das coisas que mais lhe davam prazer: o escovei cuidadosamente, perfumei, lhe dei muito carinho. E assim, Aiko, que era "apenas um cão", se despediu de mim, com um olhar agradecido e um sono sereno, mais uma vez me confortando por saber o quanto essa separação seria dolorosa.  

A única coisa que espero é que um dia as pessoas entendam que Aiko não foi "apenas um cão"... Foi meu companheiro, alguém que me tornou mais humana e que me ensinou a não ser "apenas uma pessoa". Se de tudo que passa pela vida da gente sempre fica um pouco, garanto que Aiko estará eternamente INTEIRO na minha memória e no meu coração. Vá em paz, companheirão!... Vá na certeza de que você me ofereceu bem mais do que muita gente...

AIKO ( 03/02/1998 -  29/11/2008)

domingo, 26 de outubro de 2008

Barata: respeito antes da chinelada!

Ah, o verão!... Com ele chegam o sol que bronzeia, muita praia, caipirinha e... baratas!!! Dias atrás, com mais três amigas, resolvi inaugurar a temporada de praia. Lá fomos nós, pra um bate-volta rapidinho, só curtir o dia de sol. Antes de meter o pé na areia, passamos pelo apartamento de uma delas pra trocar de roupa e deixar nossas coisas. Apartamentos de praia sempre me deixam aliviada, afinal, o risco de enfrentar surpresas desagradáveis é mínimo, ao contrário das casas térreas que abrigam toda espécie de seres tenebrosos quando estão fechadas por um longo período. Assim, absolutamente desencanadas e ansiosas por diversão, entramos as quatro juntas num elevador apertadíssimo, onde o único jeito é brincar de "como está, fica". Só que mulher quieta num único lugar é missão quase impossível. Ainda que não se possa mover um músculo, os olhinhos passeiam por todo canto. De repente, um grito: "AAAAAAAAAAHHHHHH!... UMA BARATAAAAAAAAA!!!". Em fração de segundos, mais três gritos: "AAAAAAAAAHHHHHH!... SOCORRO! ONDE? OOOOOOONDEEEEEEEE???". Outra fração de segundos e as quatro já estavam amontoadas num único canto do elevador, que a essa altura já tinha espaço pra mais meia dúzia de pessoas. Nem preciso dizer que, embora nosso destino fosse o quarto andar, esse foi o trajeto mais demorado das nossas vidas. Pô, barata dentro do elevador é sacanagem demais! Isso só prova minha teoria de que esse ser repugnante evolui mais a cada dia e aprimora suas estratégias de vingança contra os humanos. O Q.I. da barata só pode ser elevadíssimo, por isso seu poder tático jamais deve ser subestimado. Trata-se de um ser vingativo, que tem um coração transbordante de ódio pelas pessoas e uma resistência indevassável. Não é à tôa que o bicho sobreviveu aos milhões de anos de existência da Terra e não sucumbiria nem em meio a um holocausto nuclear. Concluí que as baratas hibernam só pra bolar novas estratégias bélicas, que deixariam Hitler parecer um tolinho. Confinadas em bunkers equipados com a mais alta tecnologia científica, passam o inverno todinho armando ciladas surpreendentes, como aparecer dentro de um elevador lotado só de mulheres, por exemplo. Onde já se viu isso?! Além de praticamente indestrutível, o bicho ainda é místico e pressente sua presença. E mais: prevê sua presença e percebe, sei lá como, que você se borra de medo dela. Por isso, de tão destemida e atrevida que é, jamais titubeia em ir diretamente ao seu encontro, principalmente se for voadora. E mais principalmente ainda se a vítima for uma mulher tão cagona quanto eu. Aí lá vem a tal conversa: "Barata não dá medo, dá nojo". Ah é? Pois confesso: tenho nojo de barata sim, mas, acima de tudo, tenho medo, MEDO!!!! Aliás, por pior que seja seu aspecto e por mais que saiba que a nojenta anda pelos buracos mais imundos do planeta, a safada se apresenta sempre limpinha, repleta de uma queratina reluzente. Se enfia no esgoto pra ver como é que você vai sair de lá... Acha que sai todo pimpão e garboso como a barata? Por tudo isso o poder de fogo dessa inimiga implacável tem que ser respeitado e, mesmo com o cabelo em pé, exterminá-la é tarefa que não se deve delegar a ninguém, principalmente se for um homem. Em geral, pra exibir sua autoconfiança típica de macho e ridicularizar o pavor da mulher, o homem sempre irá enganá-la, dizendo que o bicho já está morto ou foi embora. Uma mulher esperta jamais deve se fiar nesse papo e tem que determinar a condição imprescindível pra encerrar o assunto de vez: a apresentação do cadáver. E aproveitando que o homem fez a gentileza de trucidar o bicho, que desove o cadáver também. É isso aí, homem que é homem mata barata com o pé e, bem valentão, ainda cata o bicho pela anteninha (bleeeeeeeeergh!!!!). Medo de barata é mesmo coisa de mulherzinha. E o vídeo abaixo não deixa nenhuma dúvida quanto a isso... Hihihi!!!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Coisinhas (muito!) irritantes

Sei que nos últimos dias aconteceram coisas bem importantes e até trágicas, que mereceriam uma discussão séria. Só que no momento preciso desabafar (e protestar) sobre um drama pessoal. Hoje levei o maior baile de uma embalagem, que não abria de jeito nenhum. Mas que raio se passa na cabeça dos fabricantes que colocam aquele fiozinho plástico nas embalagens e se limitam a um simples "abra aqui"? A coisa é simples assim? Não. Primeiro que você não acha a maldita ponta do fiozinho. Passa unha pra cá, cutuca pra lá e nada da porcaria aparecer. Quando finalmente encontra e vai puxar, cléc! A desgraça arrebenta. Aí a embalagem ficará eternamente fechada, a menos que você meta uma faca ou uma tesoura nela. Foi o que precisei fazer hoje com um pacote de bolacha. Depois de milhões de tentativas de encontrar a ponta do maldito fiozinho, "calmíssima" que já estava, mandei uma tesourada no pacote. Resultado: bolacha voando pra todo lado. Aposto que se olhasse melhor as instruções da embalagem, encontraria o seguinte: "Abra aqui... Se conseguir, seu trouxa! kkkkk!". Ou então "O homem de bom coração que conseguir abrir esta embalagem será o novo rei da Inglaterra". Tá certo... Deixa estar, que o mundo é redondinho. Outra coisa que odeio é etiqueta de roupa que pinica. Aliás, todas as etiquetas pinicam. O jeito é cortar essas desgraças e depois pagar o maior mico de vestir a roupa do lado errado. Sem contar com os rombos que podem acontecer em roupas novinhas, na vã tentativa de se livrar da desgraça. Minha mente não é perturbada (será?), nem tenho mania de perseguição. Mas depois de tanto lutar contra esses problemas de embalagens e sentindo até a alma coçar por causa das famigeradas etiquetas, concluo que os fabricantes fazem tudo de propósito, só pra rachar o bico com o desespero de consumidores incautos como eu. No caso das etiquetas, observei bastante e concluí o seguinte: 1) Toda etiqueta é costurada 300 vezes no mesmo lugar, com a clara intenção de que você nunca, jamais, never, em tempo algum consiga arrancar a desgraçada da peça; 2) As etiquetas têm vida própria e são bem temperamentais. Assim, quanto mais cara e mais cheia de nhenhenhem for a roupa, mais difícil será arrancá-la de lá; 3) Etiquetas maiores são mais amigas e mais fáceis de serem retiradas. Já as menores e supostamente meigas, são as mais perigosas e piniquentas; 4) O fabricante que costura a etiqueta bem na pontinha e junto com a costura da própria roupa deveria ser submetido a um pelotão de fuzilamento; 5) Pra quê etiqueta numa calcinha, my God, pra quê? Só pra gente ter que cortar, arregaçar a calcinha nova e ainda ficar com aquela pontinha empipocando a bunda da gente; 6) Etiquetas são produzidas com um único objetivo: dar coceira. Ponto. E pensar que ultimamente não basta uma única etiqueta na roupa. Com a clara intenção de enlouquecer o consumidor, os fabricantes pregam centenas de etiquetas na mesma peça, dando a sensação de que você caiu num formigueiro, tal e qual o injustiçado Negrinho do Pastoreio. Tá me achando uma xiita bem fundamentalista? Isso porque ainda nem falei o que penso sobre os manuais de instruções de aparelhos em geral...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mulheres machistas

Há alguns dias atrás recebi o e-mail de uma leitora que gostaria de saber minha opinião sobre uma questão que espantosamente ainda atormenta a cabecinha de muitas mulheres: sexo já no primeiro encontro é legal? Me contou que se encontrou com um sujeito e na empolgação foi pra cama com ele logo de cara. Foi bom, se sentiu muito bem na hora, mas o resultado disso foi o sumiço da criatura. Nem vestígio do infeliz encontrou mais no dia seguinte. Por isso se tortura, considerando que agiu mal, inclusive respaldada pelos comentários das amigas, que a condenaram por ser tão impetuosa e não se valorizar devidamente.

"Mais patético do que homens machistas, só mesmo mulheres machistas também. Até quando vão achar que pra serem respeitadas devem se privar de viver plenamente tudo o que querem?"

Quer mesmo saber minha opinião? Então tá, vamos lá. Penso que a moral de uma mulher não se mede pelo tempo que ela leva pra topar ir pra cama com alguém, mas por coisas muito mais profundas e relevantes de verdade.

Acho que antes de ficar encafifada, se sentindo a maior depravada do planeta, seria melhor que ela parasse pra analisar o tipinho com quem teve a infelicidade de dividir um momento tão especial. Será que valeu a pena perder um tempo precioso com alguém tão preconceituoso, machista e atrasado? Fala sério, que importância tem o que o porcaria pensou ou deixou de pensar depois? Tem algum cabimento ter a coragem de se sentir culpada por causa do lixo que estava tão louco por sexo quanto ela e agora a despreza? Esse infeliz não passa de um babaca, que merece se relacionar apenas com mulheres tão hipócritas quanto ele e, conseqüentemente, equilibrar o monte de chifres que inevitavelmente vai carregar nessa cabecinha provinciana e limitada.

Pior que isso, no entanto, foi a opinião das amigas. Caramba, mais patético do que homens machistas, só mesmo mulheres machistas também! Até quando vão achar que pra serem respeitadas devem se privar de viver plenamente tudo o que querem? Por que um homem pode (e até deve) sentir desejo sexual quando bem entende e a mulher não? Decência, minhas caras, se mede por atitudes sinceras e espontâneas. Indecente e sem valor nenhum é quem passa a vida fingindo e vivendo à sombra de convenções ridículas e sem nenhum fundamento.

É incrível como as próprias mulheres se sabotam com atitudes e pensamentos que sempre as colocam abaixo dos homens. As mulheres não se dão conta de que são as maiores perpetuadoras do machismo. Machinhos saem prontos de casa, fabricados com carinho e amor por mães que não se dão ao respeito enquanto mulheres e seres humanos que são. Filhinhas aprendem ainda hoje com mães machistas que seu bem-estar e sucesso dependem de algumas atitudes esteriotipadas, do tipo sentar de perninhas fechadas, ser bem educadas em tempo integral, submissas, cordatas e suaves até na maneira de falar.

Posso garantir que como mãe de um cara de 23 anos faço a minha parte. Desde a mais tenra idade o sujeito ouve de mim que lavar uma louça, por exemplo, não fará com que o pênis dele caia podre no chão. Que homem de verdade é aquele que não enfrenta tempo ruim, se vira e é auto-suficiente. Que pra ser homem, acima de tudo, precisa saber compreender e respeitar as outras pessoas através de conceitos consistentes e valores reais.

Me dá nos nervos ter que discutir esse tipo de assunto ainda hoje. É gente morrendo de fome e assassinada pra todo lado, é um sistema político totalmente corrompido, é o caos da civilização e eu aqui, falando de bobagens tão óbvias e ultrapassadas. Ah, dá licença, né?