terça-feira, 3 de março de 2009

O que tem que ser, é, pronto e acabou!

Não sei se só eu penso assim, mas, às vezes, me atormento com a sensação de que poderia dar um rumo diferente a diversas coisas que não acontecem do jeitinho que gostaria. Fico imaginando que se tivesse dito isso, feito aquilo, enfim, se tivesse modificado minha postura diante da situação, se tivesse sido outro tipo de pessoa e não eu mesma, talvez tudo fosse diferente. Mas, refletindo bem, é claro que não é por aí. Nunca vale a pena abrir mão do que se é de verdade, porque um dia as máscaras caem. E mesmo que a gente force a barra e diga algo só da boca pra fora, a vida sempre se encarrega de dar o devido rumo pra tudo, seja bom ou ruim.  

Quer ver como as coisas são? Numa determinada manhã, há long long time ago, quando cheguei na clínica onde trabalhava com minha irmã, fui surpreendida por um comentário dela: - Nossa, você precisa ver o estagiário novo... É um japonês boniiiiiiiiiiiiiiiito, alto, forte!... Fiquei atônita e coloquei o comentário em dúvida no ato, afinal, nunca tinha visto um japonês assim tãããão bonito e, menos ainda, alto. "Essa doida ainda não acordou direito", pensei cá com meus botões. De repente ouço uma voz se aproximando, linda, diga-se de passagem. Minha irmã logo avisou: "É ele, presta atenção!". Duvidei de novo, claro. Por acaso japonês tem voz bonita? 

Isso tudo, na verdade, era uma enorme má vontade da minha parte, apenas não queria dar o braço a torcer, afinal sempre afirmei com todas as letras que jamais namoraria um oriental, não fazia meu tipo (cabe destacar que minha opinião sobre isso mudou muito, há um montão de orientais lindos por aí). Cospe pra cima, tonta! De repente vejo o rapaz. Caraca, lindo mesmo! Alto mesmo! E forte meeeeeeeeeesmo! Tum-tum, tum-tum, tum-tum... Coração batendo acelerado, tratei logo de puxar conversa com o novato. 

A partir daí passamos a conversar bastante sobre várias coisas. Percebemos que não tínhamos absolutamente nada em comum: ele curtia esportes, especialmente futebol, que eu odeio; eu adoro artes em geral, coisa que ele sempre abominou; das músicas que ele gostava, eu passava longe e ele fazia o mesmo com as minhas... E mesmo assim, atolados até o cérebro no meio dessa porção de divergências, a gente curtia bastante a companhia um do outro. Um dia tivemos essa conversa:  

- Sabe, Sérgio, eu não quero saber de namorar ninguém não. Acabo de sair de uma separação, tenho um filho bebê ainda, então não dá. Quem entenderia uma situação dessas?  

- É, eu também não quero saber de nada sério. Ainda tô no segundo ano da faculdade, tenho aula o dia inteiro, preciso estudar um monte... Quem entenderia isso?

E assim os dias passavam. Passaram-se semanas, meses, anos, muitos anos... Sem uma palavra sequer sobre compromisso, continuávamos sempre juntos. Até que deu nisso:



Foram 11 anos de um namoro que nunca foi sacramentado e já são 12 de um casamento também sem nenhum pedido formal. 23 anos juntos, sem promessas, nem expectativas. E também sem um minuto sequer de separação e nenhuma briga mais séria. Ele continua doido por futebol e eu, maluca pelas artes. Ele ainda adora comer rabada e eu, morrendo de nojo disso (pô, também vamos combinar que esse tipo de rabo nem é comestível, né?!). Mas sempre juntos. Simplesmente juntos e muito felizes.  

É por isso que tenho convicção de que tudo que é pra ser, acaba sendo, pronto e acabou. Sem dramas, mistérios, confusões e blablablá. Quem gosta de verdade da gente, gosta do jeitinho que a gente é. Pode ser namorado, marido, amigo, qualquer coisa, não importa. Se há uma afeição verdadeira, ela existe por si só e aproxima as pessoas.  

Assim, penso que quando alguém se afasta e não faz nenhuma questão da nossa companhia, é porque não havia um afeto verdadeiro, não foi criado um vínculo capaz de tornar o relacionamento sólido. E nenhuma mudança no nosso modo de ser faria com que as coisas fossem diferentes.  

Quando a gente sabe que é suficientemente atencioso, generoso, carinhoso, sincero, enfim, que estamos dando o nosso melhor e ainda assim temos a infelicidade de ver pessoas que consideramos tanto desaparecendo irremediavelmente e sem motivo justo das nossas vistas, não vale a pena sofrer indefinidamente por isso. É duro entender uma coisa dessas, mas é preciso aceitar. Porque ninguém é obrigado a gostar e permanecer ao lado de quem não quer.  

O negócio é sossegar e continuar fazendo sempre a parte que nos cabe. Relax baby, o que tiver que ser, será. Simples assim.

domingo, 1 de março de 2009

Homem... Bichinho complicado!

Homens, homens... E depois dizem que as mulheres é que são complicadas! Hoje os rapazes da casa resolveram preparar o jantar. Alívio? Até certo ponto. Afinal, meu fogão não vai com a minha cara. Por mim, tudo bem, também não vou com a cara dele. Mas daí a deixar o famigerado nas mãos de dois mestrecucas desajeitados, chega a dar aflição. Pior que a bagunça, só mesmo ter que dar conta de todos os equipamentos que eles consideram rigorosamente indispensáveis. Fritar um simples ovo, por exemplo, exige estratégia bélica. Pode ser numa frigideirinha chinfrim? Claro que não! "Cadê aquela frigideira super-hiper-mega-antiaderente, com cabo em baquelite ultra resistente ao calor e fundo triplo, querida?", questiona o cozinheiro de última hora, com ares de expert. E que fique bem claro: a resposta que ele espera não é outra, senão a frigideira propriamente dita na mãozinha. Aff! Há um tempinho atrás meu marido comprou um treco que considerou o maior achado depois da invenção da roda. É um... Como vou chamar aquilo?... Ah, sei lá, é um negócio que você encaixa na boca do galão de 20 litros de água pra poder carregar o bichão, entendeu? Pois é... O tempo que leva até pegar a engenhoca, encaixar e carregar o galão ao seu destino desidrata até camelo. É incrível como homem adora equipamentos de toda espécie. Precisa de furadeira elétrica, caixa de ferramentas com zilhões de compartimentos e toneladas de parafernálias destinadas a fins meticulosamente específicos. Improvisação? Nem pensar! A pior bobagem que uma mulher pode fazer, por exemplo, é pedir a um homem para pendurar um quadro na parede, desatino que já cometi algumas vezes. Caraca, é difícil entender que quando idealizamos o quadro naquele lugarzinho torna-se urgente urgentíssimo ver como é que vai ficar? Mas não... Lá vem ele com argumentos altamente impeditivos: - Não dá pra pendurar o quadro agora. Precisa usar a furadeira. E tem que colocar buchinha e parafuso do tamanho certo. Depois eu vejo isso. - Caramba, é só um furinho, que custa? Bota um prego! - Prego não dá nessa parede, vai estragar. - Tá, "muito obrigada", meu bem. Obrigada com cerejinha em cima pra você! Deixa pra lá, então. Deixa pra lá??? Não sou mulher de deixar nada pra lá, não senhor! Sou é muito da autosuficiente, meu filho. Decidida e já com o preguinho em mãos, trato de resolver logo a pendenga. Só preciso do martelo... Bem, vamos à caixa de ferramentas do senhor complicadinho. Desgosto total: o martelo está embaixo de milhares de repartições com buchinhas, porquinhas, preguinhos, parafusinhos, chave pra isso, alicate pra aquilo, rebimbocas e o diabo a quatro! Tudo guardadinho numa ordem irritantemente impressionante. Não me intimido com a organização impecável e vou à caça do martelo. Pronto, ferramenta em mãos, vamos à parede. Toc! O prego não entra. Toc, toc! O prego entorta. Toc, toc, toc! O prego cai e, junto com ele, um bom pedaço da parede. E não é que aquele homem de má vontade tinha razão? Mas, tudo bem, finalmente vejo na minha frente o que eu queria: um furo na parede. Basta encaixar um prego qualquer e tá feito. Claro que o quadro vai ficar um tantinho capenga, mas não importa. O importante é que ficou lindo de morrer. Aí vem a parte realmente complexa da questão: guardar o martelo de volta na maldita caixa-toda-arrumadinha. Bota isso, encaixa aquilo e nada dá certo, a caixa não fechará nunca mais! Num esforço idêntico ao de fechar o zíper de uma calça jeans dois números menores que meu tamanho, finalmente fecho a caixa, que fica só um pouco estufadinha. Bobagem, ele nem vai reparar. Ah, tá legal, vai, me rendo. Todo esse rolo significa que desconsiderar a capacidade masculina de complicar tudo nem sempre é um bom negócio. Humildemente, reconheço meu erro. Da próxima vez uso o martelo de carne. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Não resisto e preciso complementar esta postagem com a tirinha que encontrei hoje (02/03) na Folha de São Paulo. É a prova irrefutável de que quem não faz, leva! kkkkkk!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Carinho dispensa palavras

Há poucos dias atrás um amigo me surpreendeu com uma frase que me fez refletir bastante. Depois de ouvir minha reclamação por sua ausência, ele disse: "Nossa proximidade se dá muito além das palavras... Nos encontramos em pensamentos, situações do dia-a-dia, num filme, numa música, nas lembranças". Ele tem toda razão. Geralmente damos pouco ou nenhum valor a pequenos gestos, coisas simples que se fazem presentes o tempo todo e estão muito acima de palavras ou atitudes convencionais.  

Isso me remeteu a um fato que demorei quase que a vida toda para compreender: não me lembro de jamais ter recebido um beijo ou abraço de minha mãe. Nunca ouvi um elogio seu, nem palavras doces. Parece monstruoso, inimaginável até, que uma mãe não sinta vontade de sentir o filho mais perto e deixe de demonstrar seu afeto através da aproximação física ou de palavras carinhosas. Mas, a duras penas, finalmente compreendi que há várias formas de carinho, basta que a gente as observe com muita atenção. Minha mãe trocava os beijos e abraços por quitutes deliciosos, que fazia continuamente e com a maior dedicação. Sua alegria estava em ver como todos saboreavam avidamente as delícias que preparava e, assim, afagava os filhos com um carinho que era só seu, que só ela sabia dar. Essa era a única maneira que ela encontrava de transpor a barreira criada por sua enorme dificuldade em demonstrar o amor que sentia por nós, provado exaustivamente com outros inúmeros gestos de dedicação e renúncia até. Mais que os beijos ou abraços que não vieram, ficaram as doces lembranças que aguçam meus sentidos e sempre a trazem pra junto de mim. Toda vez que sinto o cheiro e o sabor de algo que ela preparava, pronto... Me sinto acariciada e segura com sua presença mais uma vez. 

Há pessoas que deixam marcas eternas na gente, simplesmente permitindo que seus gestos falem por si e que as palavras não ditas se revelem em suas atitudes. Criam verdadeiras poesias sem usar uma palavra sequer. Pequenos gestos fazem toda a diferença. Sair, na hora de uma briga, para dizer, sem palavras, que não quer brigar. Ir embora de um lugar onde se está sendo desrespeitado para dizer, sem palavras, que você merece respeito. Enfim, em coisas bem rotineiras a gente vai aprendendo como em muitas ocasiões é sábio cultivar o silêncio e demonstrar apenas através de gestos o que sentimos verdadeiramente.

Tenho percebido cada vez mais a importância de observar nos outros os sentimentos que estão impressos em seus gestos. De enxergar além, de ver o que passa despercebido. De encontrar carinho num prato preparado com dedicação, numa música que se partilha ainda que indiretamente, numa flor cultivada com cuidado, no trabalho exaustivo de alguém que se ausenta pensando sempre no bem-estar de quem fica. 

Costumo afirmar ao mesmo amigo que me disse a frase lá de cima que não mando recado a ninguém pelo blog. Mas hoje quero que ele considere que esta postagem é dirigida também a ele, que me ajudou a refletir mais uma vez sobre coisas que realmente importam. E deixo aqui dois pensamentos que traduzem com perfeição tudo o que eu disse antes: "Se você não consegue entender o meu silêncio, de nada adiantarão as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos." (Oscar Wilde) "Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem nossa opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer e o quanto queremos dizer, antes que o outro se vá." (Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Entre você ou o outro se aborrecer, qual é sua escolha?

O ano nem bem começou e dúvidas assombram muitas cabeças, inclusive a minha. Tenho recebido muitos e-mails de pessoas insatisfeitas com seus próprios posicionamentos diante de certas situações ou pessoas, um problema bem frequente pra mim também. Ando numa fase bem "Hamlet", meio sem rumo, por isso não sei se posso acrescentar algo pra alguém nesse momento, mas vou tentar. Até porque, assim, estarei colocando em prática um exercício terapêutico bem legal e que recomendo aos que, como eu, andam à procura de algumas respostas. Me foi recomendado expressar, por meio de textos ou desenhos, situações reais de conforto e desconforto pra mim. Como gosto de me atirar de cabeça nas experiências, estou tratando de fazer logo as duas coisas. Hoje ilustrei uma situação de grande prazer pra mim, minha reunião semanal com as amigas, que aliás me alivia muito nessas horas de sufoco: A grande dificuldade que encontrei em comum entre minhas dúvidas e as daqueles que me escrevem é a insistência em ignorar o tênue limite que há entre agradar os outros e agradar a si mesmo. Buscar esse equilíbrio é fundamental, é preciso saber ceder e se impor simultaneamente, num ritmo saudável e evolutivo. Quando apenas um cede, só um se dá, um só provém e o outro apenas usufrui, a relação fica extremamente insatisfatória e desgastante. Mas é muito importante destacar que não há culpados ou inocentes, já que ambos aceitam o lugar ocupado e agem de modo a reforçá-lo. É bem possível, então, que ao tentar agradar o outro ou preservar uma dinâmica anterior que tenha sido agradável, a gente acabe por desconsiderar nossos próprios desejos e insista em apenas agradar a outra pessoa, sem exigir a necessária reciprocidade. Um relacionamento bom de verdade pressupõe interação e aí não cabe individualismo. Reciprocidade significa troca, é dar-se ao outro e receber dele também. Para tanto, depois de reconhecer o prazer de estar com a outra pessoa e admirá-la, é fundamental que se faça o mesmo por você: conhecer-se, interessar-se por si mesmo, apaixonar-se por sua singularidade. Caso contrário, cederá todo o espaço para que o outro ocupe, restando para você, inevitavelmente, o lugar de vítima. Aí, pronto: está instalada a dinâmica doentia da insatisfação. Todo mundo pode (e deve, em determinados casos) ceder e deixar que as vontades do outro prevaleça. Mas precisa perceber, definitivamente, que existe uma enorme diferença entre fazer isso de forma consciente, com bom senso e justiça, e fazer somente pra receber reconhecimento em troca. E como sabiamente sempre diz minha terapeuta: entre o outro ficar chateado e você, seja egoísta e deixe a chateação pra ele. Não é politicamente correto, eu sei, mas dá um alívio danado, pode crer!