Estávamos sentadinhos eu e o japa, tomando um lanche em casa, quando, de repente, reparamos que havia um invasor na laje que dá acesso à nossa caixa d'água.Ao ser flagrado, o moleque espinhento disse que estava apenas pegando uma bola que havia caído ali. Fiquei até com pena, porque aguentar sermão do japa não é moleza.
- Que negócio é esse, rapaz? Não sabe pedir, não? Você não tem educação? Acha que pode ir entrando assim na casa dos outros e...
(-_-) Zzzzzzzzzzzzzzzzz
Passados alguns dias, uma vizinha nos informou que andava observando o sujeitinho e viu que ele estava escondendo pacotinhos atrás da nossa caixa d'água. Bom, não se pode acusá-lo de mentiroso, né? Afinal, trata-se mesmo de "bola".
Aí fiquei pensando como a vida da gente pode revirar de uma hora pra outra, sem que se dê conta do que está rolando. Justo eu, uma caretona que nunca teve a menor curiosidade de chegar nem perto de um baseadinho, de repente posso ir em cana por tráfico de drogas, caso os bagulhos sejam encontrados na minha casa numa blitz policial.
E o que fazer diante disso? Aparentemente trata-se apenas de um nóia amador, sem significativo poder de fogo. Mas, sabe-se lá quem pode estar por trás dele. O menino espinhento tem fornecedor, né?!
Pensamos em procurar a família do garoto e informar sobre o que está acontecendo, afinal é complicado ficar indiferente, inclusive porque a malandragem do meliante de certa forma nos envolve. Ao mesmo tempo, o fato do moleque ficar inteiramente à vontade pra utilizar uma escada enorme e pular na nossa laje sem que ninguém na casa dele considere estranho, nos sugere, no mínimo, alguma negligência. Como poderiam reagir à nossa interferência? Fechar os olhos, simplesmente, é difícil. Quem sabe com o alerta não se pode evitar um mal maior na vida do desconectadinho e, ainda, dar nossa pequena contribuição em favor da sociedade?...
Situação cascuda. Sei lá como lidar com essa encrenca!
Como estamos há alguns dias de mudar pra casa nova, chegamos à conclusão - sem nenhuma convicção - de que o melhor, pelo menos por enquanto, é continuar apenas observando o movimento (que depois do flagra passou a ocorrer de madrugada). O jeito é repassar o problema para o futuro morador, que será devidamente informado, claro.
Dificultoso por demais. Como diria o sapientíssimo Adoniran Barbosa, bom de briga é aquele que cai fora.
Ilustração do fantástico TIAGO HOISEL.
Ilustração do fantástico TIAGO HOISEL.
