sexta-feira, 5 de agosto de 2011

VINGANÇA... Vale a pena?



Desde que o mundo é mundo, dentre tantas inquietações da alma humana, uma é, sem sombra de dúvida, peculiar a qualquer pessoa: o desejo de vingança. Em maior ou menor grau, concretizando ou não, acho que não existe cristão que já não tenha sido remoído por isso. Pelos motivos mais diversos possíveis, acho que em algum momento da vida todo mundo já se sentiu impregnado de fúria diante de algo que considerou injusto, principalmente pela rejeição. Ah, essa é doída!... Haja sangue de barata para aceitar passivamente a humilhação do abandono. 

Sei bem como é. A gente nem dorme direito, a raiva atormenta, o sangue ferve. Na mente, só a repetição frenética de mil coisas misturadas... Momentos de intenso prazer mesclados por decepções, sinais de traição e pela mortal certeza do fim. Passa-se a adorar o outro pelo avesso...  


Há quem chegue às vias de fato depois de um pé na bunda bem dado. Seja atacando com crueldade o bem mais precioso do parceiro, seja aniquilando sua dignidade  - como no caso da célebre homenagem feita a um tal de Scott Kelly durante o festival de música Big Day Out, realizado em Auckland - Nova Zelândia, em 2004. Na ocasião, um pequeno avião sobrevoou a platéia com uma faixa onde se lia "Scott Kelly has got a small dick" (Scott Kelly tem um pau pequeno). Difícil imaginar humilhação mais cascuda.

Mas, mesmo sabendo o quanto é difícil superar esse sufoco (até porque tudo tem seu tempo certo para acontecer), acho legal tentar olhar a coisa toda de modo mais prático, procurando se livrar dos inevitáveis arrependimentos futuros. Penso que vingança NUNCA vale a pena. Não por ser um sentimento horrendo, que alguns até consideram pecado, mas simplesmente porque é pura perda de tempo. 

Enquanto a pessoa atormentada passa seus dias e noites bolando maneiras de atacar o outro, ele se esbalda por aí, pouco se lixando para a dor da infeliz. Nada, mas N-A-D-A mesmo, tem o poder de mudar o rumo de uma história acabada. É "the end" com ou sem vingança. Ah, mas como é bom o gostinho de vê-lo sofrer também, né?! Uma ilusão, só isso. Porque ele pode até sofrer com as consequências de um ataque, mas não mudará de ideia a respeito de quem o atacou. Se bobear, acaba pegando até nojo. Aí sim, não sobra sequer a mais remota possibilidade de que um dia as coisas possam ser diferentes. 

Se vingar é bater a porta, trancar e engolir a chave (sem direito a Lactopurga para conseguir recuperá-la mais tarde).

Não existe no mundo vingança mais eficiente do que botar a fila para andar e ser feliz novamente. Não é nada fácil, eu sei, mas é único caminho possível para quem gosta de si mesmo (de verdade), se respeita e quer andar para frente.

"Não há maior vingança do que o esquecimento."
(Baltasar Gracián Morales)


Ah, Chico!... O que seria deste meu post sem você?... 

Ilustração: Riba Tavares

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Homem que é HOMEM...



Ontem, ao ver um amigo se matando de rir do susto que a mulher dele tomou ao ficar cara a cara com um rato, me lembrei de uma teoria da minha irmã sobre os homens, que acho muito interessante. Segundo ela, homem que é HOMEM mesmo, assim, todo maiusculão, precisa possuir certas características para ser reconhecido como tal, sob pena de enojar o mulheril caso seja diferente.

Concordo. Pra ser bonzão, de verdade, o homem tem mais é que mostrar serviço. Vamos a alguns requisitos básicos:


MATAR BARATA

Tem que ser com o pé, não tem mais-mais. Nada de pegar vassoura, chinelo ou qualquer outra coisa que atenue seu contato com o bicho. Importante: não pode ter medo, sob hipótese alguma. Nem que o bicho pouse em sua cabeça pode emitir qualquer som ou expressão de espanto. Precisa ser rápido e certeiro, impedindo que a nojenta escape a todo custo. Por isso mesmo, a apresentação do cadáver é comprovação fundamental do sucesso da ação, que será devidamente dada por encerrada apenas se o matador segurar a vítima pela anteninha antes de jogá-la no lixo. E isso vale para todo e qualquer bicho, até mesmo para os ratos, que exigem tiros ou facadas pra sucumbir.


JOGAR FUTEBOL

Não interessa que o homem não goste de futebol, mas tem que saber jogar. Mais que isso: tem que saber TUDO sobre o assunto. Chocolate, pelota, linha, chaleira, tapete, enfim, nada é segredo para o homem antenado nos termos futebolísticos. Classificação de times, nomes de jogadores, regras do jogo, nada pode passar batido. Também pouco importa se a mulher com quem ele vá conversar sobre isso entenda alguma coisa (aliás, são poucas as mulheres que gostam de falar de futebol), porque para ela interessa apenas que ele saiba. Embaixadinhas com duração de três minutos, no mínimo, também são desejáveis. 


DIRIGIR

Nunca, nunca, nunquinha, jamais o homem pode ser braço-duro. Este é um item para o qual não tem perdão. Homem bonzão dirige qualquer coisa, desde carrinho de supermercado até Terex Titan. Baliza deve ser baba, não existe vaga difícil. Tem que colocar o carro de primeira, rapidão e de preferência fazendo uso da marcha ré. Tempestade, neve, furacão, cratera, aclive, declive, nada pode apresentar o menor nível de dificuldade para um homem. Ah, muito importante também: conhecer absolutamente todos os elementos do motor do carro é imprescindível. O carro pifou? Neguinho abre o capô, bate o olho e imediatamente acha o defeito. Não há rebimboca da parafuseta que represente desafio para ele.

E olha que nem precisa fazer isso, porque é só mulher que consegue mesmo:



Aqui estão apenas alguns itens básicos, é claro que há diversos outros com maior grau de complexidade, que também mereceriam atenção, enfim... 

Bom, mas agora dá licença, que vou correr daqui. Serei trucidada com críticas fervorosas. 

Hum... Se bem que, pensando melhor, nem vou me escafeder não. Porque se tem outra coisa importante que homem bonzão precisa fazer e muitíssimo bem, é permitir que a mulher fale o que lhe der na veneta, sem dizer um "a" atravessado.


Ilustração: Pedro Conti

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perder a beleza e a juventude é bobagem?



Tenho um amigo, que a cada observação que faço a respeito de aparência, diz sem delicadeza alguma: ISSO É BOBAGEM! Sei Acho que não se trata disso, mas sempre que ele desqualifica meus pontos de vista, dá a sensação de que está me avacalhando, como se eu fosse uma imbecil. Ouvi isso ontem, MAIS UMA VEZ, o que me inspirou a escrever sobre o assunto.

É claro que até pela efemeridade da beleza e da juventude não se pode viver preocupado com isso. A gente TEM que aprender a conviver com os próprios limites e com a passagem do tempo, fazer o quê? Mas
entre "ter", "querer" e, ainda por cima, "achar tranquilex" há uma grande diferença.

Não acho que sentir dificuldades para encarar os sinais da idade seja bobagem. É um processo doloroso e complicado, ainda mais quando a gente considera os exigentes - absurdos até - padrões de beleza da atualidade. E é aí que muitas pessoas acabam exagerando na dose, especialmente as mulheres. Botox até no cérebro, silicone pra todo lado, como se fosse possível vencer a gravidade e o relógio biológico. São figuras que chegam a se tornar bizarras, provocando risos e um temporal de críticas. Só que isso, na verdade, não é nada engraçado. Muito pelo contrário, é bem triste, porque mostra um desequilíbrio importante entre as possibilidades e a realidade.

A vaidade é algo muito natural no ser humano. Sentir-se bem consigo mesmo é uma meta, quem não quer ser feliz? Mas não é fácil dar conta dos parâmetros da sociedade, que atualmente impõe uma vaidade excessiva, valor que passou a ter grande importância e determina a aceitação plena do indivíduo. Prova disso é a discriminação que muita gente vem sofrendo para conseguir emprego  - se não estiver minimamente dentro dos padrões, simplesmente não serve, dane-se, que morra de fome.

A verdade é que essa "seleção" sempre existiu, afinal, convivemos a vida toda com uma infeliz dicotomia: a beleza está diretamente relacionada ao bem. Contos infantis com a princesa linda e, por isso mesmo extremamente bondosa, sempre sapecada por alguma baranga, que logicamente é uma maledeta dos infernos. O final desse tipo de história, invariavelmente, é de pular de alegria: a fofa não apenas vence a mocréia, como ainda é recompensada ao encontrar outro lindão-bonzão pra juntar os trapos. Aff! 

Beleza é um conceito estético, que por si só não está atrelado ao envelhecimento (uma obra de arte sempre será bela, mesmo após milênios), mas quando se trata de gente não tem jeito, beleza está SIM ligada à juventude. Já posso até ouvir os discursos politicamente corretos: "o importante é a beleza interior"... Tá, lógico que é. Mas por fora também ajuda e MUITO. "Beleza não importa, um dia acaba"... Pois é, taí a desgraça. Sem contar com o preconceito mascarado pelo elogio: "Nossa, fulana é linda, nem parece que já tem 50 anos!".

Ok, sei que dá para tirar um enorme proveito da experiência que se adquire com a idade, até para aprender a lidar melhor com a parte ruim que ela traz. Mas, por enquanto, não posso fingir indiferença diante da imensa dificuldade que considero  - e vejo que é -  envelhecer e, consequentemente, perder a beleza. O poetinha foi tremendamente cruel, mas, pelo menos, bem mais leal à própria convicção (que se assemelha a de muita gente hipócrita por aí, sem culhão para assumir o que pensa): "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Espero, um dia, conseguir chacoalhar meus ombrinhos, achando que isso é a maior bobagem, MESMO.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Curta e grossa (2)




Faz um tempinho que não apareço por aqui, né? Gripe do capeta, falta de inspiração... Enquanto as coisas não se normalizam, vai aí a reposta a um e-mail que recebi (dentre muitos que chegam, repletos de mimimi):


"Eu fui traída pelo meu namorado e terminei tudo. Agora voltamos, ele fica comigo, mas também está com outra menina. Eu durmo na casa dele, viajamos, mas ele está namorando com a outra. Qual é a dele? A gente só briga, mas eu faço de tudo pra dar certo, eu amo muito ainda. Será que ele está dividido? Ou eu sou uma burra?"


Vamos lá:

1. Qual é a SUA?

2. Bom, sei lá se ele está dividido... Mas, que ele gosta de multiplicar tenho certeza absoluta, porque o CAFA - sim, caixa altíssima, em homenagem à eficiência do sujeito - está adorando ter duas mulheres.

3. Você, burra? Ô, miguinha, magina!... Relaxa aí, vai... Coisinha à tôa, nada que uma boa xícara de chá de alfafa quentinho não resolva. Mas, por via das dúvidas, tome logo uns 20 litros, tá?

Taí. Não se mexe com quem está (ou deveria estar) de cama.