sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, 
mas o que melhor se adapta às mudanças."
(Charles Darwin)


É assim mesmo. Nada de cabelos, muito de confiança. 
Feliz! :-)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Careca e com celulite. Magnífico!



Na minha casa tem fogão que emite milhões de apitinhos durante o cozimento das coisas. Tem geladeira que faz gelo picado, gelo em cubos, fornece água filtrada e gelada, tem degelo automático... Televisores com programação pra dormir, pra acordar e o escambau. Tudo inteligentíssimo.

Aí vem a quimioterapia. Burra. BUUUUUUUUUUUUURRA!!! Faz tudo que é pelo despencar, sem a menor cerimônia. Seria demais alguém inventar uma porra que tirasse só os pelos que a gente não quer e ainda tem que pagar pra se livrar? Vou além: os nerds dos cientistas não poderiam bolar uma quimio que mandasse embora também a maldita celulite?

Acho bem gozado isso, sabe? Muito engraçado mesmo. >_<

Ah, só pra ficar registrado: meus cabelos começaram a cair ontem à noite e tô à espera da cabeleireira, que já já vem aqui com a tenebrosa máquina zero. Já chorei o que tinha pra chorar. Agora é seguir em frente, que não tem outro jeito.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quando a gente gosta é claro que a gente cuida...




Cantoneira protetora na mesa da cozinha, porque não posso me machucar de jeito nenhum agora (pequenos ferimentos são portas de entrada para infecções).

Esse japa não existe! 

domingo, 27 de maio de 2012

Amargurada por causa de um traste


"Vi o seu blog e lá encontrei seu e-mail, e por isso resolvi escrever por aqui, porque não tive coragem de escrever lá. Tenho câncer de mama e desde que fiquei doente meu marido me despreza, pois todas as vezes que ele quer carinho eu não tenho ânimo para namorar. Portanto sou desprezada e o desprezo dói mais que o câncer. Ele vive dizendo que está cansado disso e que vai acabar me largando. Me isolei do mundo, às vezes estava conversando com as pessoas e esquecia o que estava dizendo elas riam na minha cara e até meu marido ri de mim, fala que eu estou bichada. Eu me odeio, eu não sou gente, me sinto um monstro, feia, semblante caído, ridícula etc,etc…. Não sei mais o que fazer. Bjs."

Caramba... Por onde começar? Bom, começo dizendo que a publicação do e-mail acima acontece com a devida autorização de quem o enviou pra mim. 

Estou desde ontem tentando encontrar as palavras certas pra ajudar de alguma forma e não sei se vou conseguir, mas vamos lá. Temos aqui a delicada situação de uma pessoa extremamente fragilizada por uma doença naturalmente complicada, agravada pela clássica e cruel interferência de um traste. 

Parece inimaginável que alguém possa passar por isso, justamente num momento tão difícil. Mas, infelizmente, o resultado das péssimas escolhas que alguém faz no decorrer da vida não tem hora pra se manifestar. Ou melhor, tem sim. É bem no meio do perrengão que se descobre quem é quem de verdade e paga-se o preço por isso.

Legal é que no meio de um bom sufoco a gente se dá conta do tantão de coisas importantes que precisam ser definitivamente aprendidas. E que não importa se a escolha foi boa ou não, sempre é possível mudar tudo e recomeçar de outro jeito. O pulo do gato é transformar uma situação cascuda na melhor oportunidade que se tem pra evoluir.

Neste caso, particularmente, acho muito importante saber separar as coisas e estabelecer prioridades. Câncer exige dedicação e objetividade. Comece arregaçando as mangas e cuide de si mesma (se possível, cuide SÓ de você agora). Não há outra forma de enfrentar isso, se não for bem egoísta nessa fase de sua vida. Então, perceba: quem está doente é VOCÊ, não ele; por isso, faça valer seu direito de receber carinho e atenção agora. Se ele não consegue entender sua condição, se não sabe se doar nessa hora, problema dele. Comece a entoar um mantra poderosíssimo logo que abrir os olhos todas as manhãs: "fooooooda-se!". E mentalize o mesmo mantra sempre que precisar encarar qualquer pessoa que não consiga compreender sua situação atual. É feio, eu sei. Mas funciona que é uma beleza!

Com ou sem câncer, jamais admita falta de respeito. "Bichada" (ah, mas eu queria que alguém tivesse o topete de falar isso pra mim!...) é a índole de quem não consegue se colocar no lugar do outro, não ajuda em nada e, ainda por cima, faz questão de atrapalhar. Francamente, hein?! Mas, fique atenta: a gente sempre atrai pra nossa vida aquilo com o que nos sintonizamos. Enquanto você não estiver pronta pra se compreender e agir de forma totalmente honesta e corajosa, continuará atraindo só gente lamentável pras suas relações. 

Portanto, comece desde já. Onde é que já se viu tratar a si mesma com tamanha desvalorização? "Me odeio, não sou gente, me sinto um monstro...". Deus do céu! Olha só:

1. Ninguém escolhe ficar doente, você não tem culpa nenhuma por isso. Acontece com qualquer um, a qualquer hora;

2. O tratamento maltrata sim, mas há um montão de coisas fáceis e baratas que você pode fazer pra minimizar o estrago. Aqui e em muitos outros blogs e sites há dicas bem legais pra melhorar a estética nessa fase;

3. Faça um favorzão à sua mente e mantenha-se ativa, seja com exercícios físicos, trabalhos manuais, sei lá mais o quê. Assim terá menos tempo pra sentir pena de si mesma e, de quebra, favorecerá bastante sua recuperação física;

4. O emocional fica bem abalado, claro, especialmente num caso assim, onde além de lidar com a doença há também a convivência com um péssimo parceiro (que tal começar a pensar em se livrar dele? Vale o velho ditado: antes só do que mal acompanhada). Uma ótima ideia seria procurar um profissional sério - psiquiatra, psicoterapeuta etc - pra auxiliar na busca por novos caminhos. Caso não possa pagar, é possível encontrar atendimento gratuito nas grandes universidades, além dos grupos de apoio que se reúnem em diversos hospitais. Em São Paulo, por exemplo, tem o Grupo de Apoio Amor à Vida, do Hospital A.C. Camargo, que realiza um trabalho fantástico com pacientes de câncer e seus familiares (informações AQUI).

Bom, agora você já sabe o que pode fazer... SE SACUDA, MINHA FILHA!!!