quarta-feira, 26 de maio de 2010

Manual do pé na bunda (bem) detalhado

A postagem anterior rendeu e-mails de leitoras que preferiram um lesco-lesco em off. Pra algumas respondi individualmente, conforme a gravidade da situação e minha disponibilidade de tempo. Mas já falei, refalei e trifalei que absolutamente NADA me qualifica a aconselhar ninguém sobre assunto algum, porque sou uma tonta pós-graduada. Escrevo apenas sobre minhas experiências e manifesto opiniões muito próprias, me reservando todo o direito, inclusive, de mudar de ideia quando eu bem entender. Quem gostar, ótimo, e quem não gostar, que se manifeste (civilizadamente) ou vá ler outro blog.

Então... Sabe aquela lenda urbana de que os seres humanos adoram ser espezinhados em seus relacionamentos? Que quanto mais se é maltratado(a) pelo companheiro(a), mais a criatura gosta? Pois é...
Daí eu recebo e-mails com coisinhas tipo isso, ó:
"Ele me traiu, mentiu, eu terminei. Ele agora me liga. Não atendi. Espero ele ligar de volta? Ou tenho que retornar e enfatizar que NÃO QUERO MAIS?"
"Quando ele está comigo, tudo é maravilhoso. Mas ele sempre desaparece, às vezes fico sem vê-lo por semanas. Não sei o que pensar, nem o que fazer"
"Descobri que meu namorado só mentiu pra mim, todo o tempo que estivemos juntos (7 meses intensos). Por isso ele disse que era melhor nos afastarmos, e disse que me amaAcredita que eu acho que ele ama mesmo?"
Pois bem. Se apenas falar não adianta, então o melhor é desenhar, MESMO. Acompanhe comigo um martírio de cabo a rabo. Sei que o post está longo, mas não tem outro jeito. A abordagem tintim por tintim é importante.

1. A CONQUISTA
Está você sorridente e saltitante pelo bosque quando, de repente, conhece um sujeito espetacular. Não necessariamente bonito, meio feinho até, mas com um olhar penetrante e fala mansa, educadérrimo, super atencioso. 
  

Ele fica encantado e não mede esforços para que você sinta o mesmo por ele. O bicho é tão sagaz, que rapidinho percebe do que você gosta. Daí pra frente ele usa de todos os galanteios possíveis pra te agradar. Fala em português bem claro e até em aramaico, se preciso for, que você é sen-sa-cio-nal. O cara te enche de elogios, te devora com os olhos, faz até serenata no MSN, olha que mUderno! Já viu isso?!
Embora tenha um histórico conturbado com mulheres, o sujeito a faz acreditar piamente que com você será diferente. Em pouquíssimo tempo diz que te acha "especial" e "perfeita". Alguns chegam ao cúmulo de arreganhar um "eu te amo" logo de cara, acredita? A essa altura você já está inteiramente entregue à sutileza e ao melê-melê do rapaz... Ai, quanto carinho!...
Como no fundo ele mesmo sabe que não é grande coisa, tenta impressioná-la demonstrando aptidões incomuns. Se tem dinheiro, gasta (pior que, em geral, é durango); se tem algum talento especial, o exibe. Ele canta, dança e até sapateia pra te convencer de como é admirável e do tantão de coisas que vocês têm em comum. E você... Ah... Enlouquece com tamanha profundidade emocional...

2. OS PRIMEIROS SINAIS DE PÂNICO
Ao perceber que você já caiu inteiramente na lábia dele, o caldo começa a entornar. Ele sabe que você espera o reconhecimento de um compromisso real e começa a ficar hesitante. Confusa, você repara que ele está se afastando. Não é mais o mesmo cara atencioso de antes, suas palavras e ações passam a ser cheias de mensagens ambíguas. Na tentativa de entender que raio se passa, você engata a primeira DR (discussão de relação) basiquinha e ouve uma lista interminável de lamúrias.
Ele se dá ao trabalho de arranjar desculpas, porque você AINDA interessa pra alguma coisinha. Nesse momento ele já te enfiou na geladeira, mas ainda na prateleira do meio. Então vai ouvir que nos últimos dias aconteceu "de um tudo" com o infeliz: o chefe o obrigou a trabalhar 72 horas ininterruptas, o pivô do dente da frente caiu, precisou levar a avó pra fazer preenchimento facial nas 525 mil rugas da carinha dela... E diante destes argumentos "irrefutáveis" você fica sem fala e sem ação, se sentindo péssima por ter desconfiado do coitado.
Ofendidíssimo com suas dúvidas, o meliante sempre acaba virando o jogo. VOCÊ não é compreensiva. VOCÊ não está interessada no montão de problemas dele. VOCÊ é uma mulherzinha egoísta. E, repare bem, mesmo depois do sumiço, a única preocupação dele é desfiar o rosário... Em nenhum momento se mostrará interessado em como foram seus dias durante a ausência dele.
Agradecida até o talo por não ter levado um pé na bunda depois da cobrança, você insiste em continuar no chove não molha. Não percebe que está apenas empurrando com a barriga o fim inevitável, porque ele simplesmente NÃO ESTÁ MAIS A FIM DE VOCÊ e nada muda isso, pelo contrário, a situação só piora. Agora ele já sabe que pode aprontar todas, porque você vai aceitar. E, quanto mais você tentar fugir dessa filhadaputice paixão fulminante, mais ele te esfrega na cara que você está na teia, é uma presa totalmente dominada.
Aí ele começa a te tratar descaradamente como se você não fosse mais prioridade na vida dele. E lá vem o cronograma que determina quando e como ele terá tempo pra você. Mais uma vez deixa claro que você deve agradecê-lo por isso, já que faz malabarismos por sua causa: você mora muito longe, sua cama é horrível, ele tem alergia ao pelo do seu gato, oras!
E, novamente, você aceita e agradece imensamente.
A essa altura o estrago já está completo e você já foi colocada no congelador. Aquele seu magnífico parceiro romântico desapareceu e se transformou num fugitivo. A atitude dele em relação a você mudou quase que completamente. Já não passa quase nenhum tempo com você e nem se preocupa em dar maiores explicações. Está frequentemente mal-humorado, mas sempre tem uma desculpinha, dizendo até que "isso não tem nada a ver com você". Ainda na tentativa de te confundir com mensagens ambíguas, num momento ele é distante e rude, pra logo em seguida voltar a ser a belezinha que era no início. E te oferece migalhas de atenção, como um e-mail carinhoso a cada duas semanas, por exemplo. Carente e angustiada, você se farta com essas míseras migalhas de atenção e espera avidamente pelas próximas.

3. FINAL INFELIZ
Insensível ao seu estado emocional, ele não faz nadica pra tentar melhorar a situação, aliás, o que menos quer é falar sobre isso. Aos poucos, vai te blindando irreversivelmente, já não aguenta nem olhar mais pra sua cara. Mas o miserável NÃO VAI EMBORA e não assume o problema de uma vez. Não pense que isso acontece porque ele tem dúvidas dos sentimentos dele em relação a você. Ele está apenas tentando encontrar a melhor maneira de te responsabilizar pelo fim da relação. É isso mesmo, o angu encaroçou de vez e ele quer que você acredite que a culpa é sua!
Amargurada até não poder mais, você tenta entender o porquê disso tudo. Por que tamanha falta de consideração? Afinal, o que você fez pra ser tratada dessa forma? A explicação, querida, é muito mais simples do que você imagina. E tem nome. Pode ser Sandrinha, Leninha, Maricotinha... Será, enfim, qualquer outra mulher que o leve novamente à fase inicial da conquista, que é SÓ o que interessa a ele. Tire já da cabeça a ideia de que ele a trocou por alguém melhor, viu? Porque o desgraçado atira pra todos os lados. Indiscriminadamente ele fatura brancas, negras, laranjas... Gordas, magras, boazudas. É adepto do quanto mais melhor, afinal, o mês tem 30 dias, né bobinha? E você querendo ocupar todos, vê se pode!... Gulosa! Tsc.

E é assim, finalmente, que ele se vai. Com jeito de injustiçado e com outra vítima já engatilhada  do outro lado da porta. Será apenas mais uma tonta que ficará tão encantadinha por ele como você ficou.

Ferida de morte, você já não acredita mais em ninguém, afinal, foi descartada de uma maneira desprezível. Sabe que não merecia isso e sente que superar essa mágoa será impossível.

4. HÁ UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL, ACREDITE!
Como falei na postagem anterior, até um pé na bunda te faz andar pra frente. Então, se aproprie dessa experiência ruim e siga em frente, agora mais "escolada".
No próximo relacionamento, fique atenta:
. Você não pensa como ele
Alguns gestos que você entende como amor ele interpreta como armadilha. Pare de ficar adivinhando qual é a vontade dele. Se preocupe com o que VOCÊ QUER e aprenda a deixar isso bem claro. Se ao entrar numa relação você topa a falta de compromisso só pra parecer moderninha, arque com as consequências disso depois. Ao contrário, se quer um companheiro legal, com quem possa fazer planos (mesmo que seja a longuíssimo prazo) demonstre isso. Se ele sair correndo, minha filha, melhor pra você. Pelo menos não perde tempo com um salafrário. 
. Você é quem dita o ritmo da relação
Determine um tempo pra se abrir, pra aceitá-lo e pra confiar nele. Se ele não conseguir acompanhar seu ritmo mais lento, então é sinal de que não está a fim de se comprometer, o negócio é mesmo só um fast-fuck.
. Entenda que seu amor nunca o modificará
"Faça tudo por seu homem e ele chegará à conclusão de que precisa de você". Isso funciona nas novelas, mas não na vida real. Ninguém muda ninguém.
. Cuidado em excesso sufoca
Você não é mãe dele. O homem deve ser seu parceiro no relacionamento, então é necessário haver reciprocidade na atenção. Cuide sim, mas na medida certa. E exija ser cuidada também.
. Nada de brincar de casinha
Se vocês não são casados, não ajam como se fossem. O que significa isso? É simples: não o acostume a ser tratado como maridinho, enquanto ele age feito visita.
. Acredite no que ele faz, não no que ele diz
Um bom cafajeste fala muito, mas age pouco. Aprenda a diferenciar uma coisa da outra. Se ele não agir de acordo com o que diz, você deve entender que as palavras dele são APENAS palavras.
. Expanda seus horizontes
Não enterre sua vida social por ninguém. E se ele não gostar de te ver fazendo outras coisas sem incluí-lo? Problema dele.
. Nunca, jamais, invente desculpas para o comportamento dele.
Não interessa se o sujeito tem algum trauma de infância ou seja lá o raio que for que o leve a ser um cretino. Todo mundo já passou por problemas graves na vida e nem por isso apronta sacanagens com os outros. Se ele a magoar, não há desculpa pra isso. NÃO ACEITE, NEM TENTE EXPLICAR COMPORTAMENTOS INACEITÁVEIS.
. Não assuma a culpa pelo fracasso do relacionamento
Se ele agir mal com você, tenha total consciência de que é ELE, e não você, quem tem um problema.
. Cuide de si mesma
Não espere que ele vá abrir mão do próprio espaço e independência por sua causa. Isso não é legal, muito menos desejável. Então, NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE A PESSOA MAIS IMPORTANTE NA SUA VIDA É VOCÊ MESMA, HOJE E SEMPRE.

Ufa! E aí, ficou bem explicadinho? Ah, muito importante: tudo o que foi dito serve tanto para as mulheres como para os homens, tá? É óbvio que muitos homens também se decepcionam bastante com mulherzinhas-chave-de-cadeia. A diferença é que normalmente são menos românticos e fazem a fila andar mais depressa. Mas, no fim, é isso aí, o mundo é cruel pra todos. Tem hora que é matar ou morrer. Tudo sempre é uma questão de escolha. Faça a sua e seja feliz!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nem todo homem é pra casar...


Se tem uma coisa que muitas mulheres costumam desprezar  - e se estrepam inteirinhas por isso -  é a previsibilidade. Não falo sobre os famosos sinais da roubada que está por vir, nem sempre tão claros, tipo: maneira como ele saiu de outros relacionamentos, comportamento hiper-mega-master-metódico, grau 11 na escala de pão-durismo de 0 a 10, enfim, coisinhas que, a princípio, passam batidas e você só vai perceber que o tinha tudo a ver com o cré quando o estrago já está feito. Quero falar sobre o que está na cara e a burralda ignora por gosto, mas depois chora baldes e baldes.

Depois de diversos tombos, aprendi que a primeira coisa a ser levada em conta na hora de entrar num relacionamento é ONDE VOCÊ ENCONTROU O SUJEITO. Tá certo, toda regra tem sua exceção, mas no geralzão, mesmo, não se pode esperar que alguém mude completamente de hábitos só por causa de outra pessoa. Então, se você viu o cara pela primeira vez na balada, por exemplo, não pode esperar que ele seja do tipo caseirinho. Estava no carnaval, se esbaldando com o horroroso rebolation? Convenhamos, o que se pode esperar? Compromisso? Ora, fala sério! É claro que uma "paixonite" fulminante pode mudar um pouco as coisas, mas certamente não será pra sempre. Basta a rotina se instalar e pronto, lá estará a criatura repetindo as atitudes anteriores. E aí, ou você convive com elas numa boa, ou faça o favor de cair fora de uma vez. O que não adianta é ficar choramingando pelos cantos e alimentando falsas expectativas.

Acho que de todas as manias que a outra pessoa pode ter, uma das mais insuportáveis  - e incontornáveis -  é o vício pela Internet, mais especificamente, por sites de relacionamento. Você conheceu a figura no Twitter? Xiii!... Foi no Orkut? Xiiiiiiiiiii!!!... No Par Perfeito? Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!

No começo, tudo é uma maravilha. Que delícia é se relacionar com alguém que está sempre disponível pra corresponder ao seu entusiasmo e... Ops! Eis aí o primeiro probleminha, evidente, mas geralmente ignorado: ele está SEMPRE disponível, capiche? Pra você e pra quem mais aparecer. Afinal, a que horas é que o inútil trabalha? Que diacho de vida ele leva, se fica com o bundão sentado na frente do computador em tempo integral? E, me desculpe, se você está tão disponível quanto ele, é igualmente inútil.

Além da disponibilidade, o que mais encanta  - e certamente é a entrada do cano que vai te entalar -  é que o fulaninho passa a ser super em tudo. Supercarinhoso, superprestativo, superfofo, supersensível (olha isso!), supersincero (aí já é demais!)... Aqueles papinhos ligeiros pelo MSN, que duravam só cinco minutinhos, se transformam rapidamente em horas a fio de lero-lero...

Ele é, sem dúvida alguma, adorável. Ele aaaaaama seu papo. O que ele mais curte é a sua companhia, ainda que através de uma telinha. Mas, realmente... Mas, realmente... Ele preferia que você estivesse... NUUUUUU-AAAAAAAAAAAAAAAAAA!

E então, só depois de um tempão de enrolação, você começa a estranhar... O mesmo homem que jurava te amar, de repente, vai evaporando. É que agora ele está "ocupadíssimo". Já não é tão carinhoso (está ocupado), você já não pode contar com ele pra mais nada (está ocupado), as palavras doces, se enviadas espontaneamente, dão lugar a mensagens objetivas (oras, ele está ocupado), nada mais de papinho on-line (cáspita, ele está OCUPADO, precisa desenhar pra você entender?).

Mesmo assim, sua ficha continua enroscada. Compreensiva, a coisa que você menos deseja é aporrinhar o sujeitinho. E vai engolindo um sapo atrás do outro, até ficar entupida. Só começa a se dar conta de que o barato é realmente pessoal quando resolve ficar atenta aos rastros virtuais que ele vai deixando pelo caminho, muitas vezes sem o menor disfarce, afinal, é pra você ver mesmo. Quem sabe você se toca e cai fora, poupando o cagão de um enfrentamento? 

Acorda, mulé! Se ele não te ligou, nem escreveu, foi porque NÃO QUIS. Perdi seu telefone, não vi seu e-mail, estou sem tempo. Mentira. Não te procurei porque a faculdade está me matando, o trabalho está me matando, tive que levar minha mãe ao médico. Mentira. O celular não tocou, quebrou, acabou a bateria. Mentira. Imagina, não fala assim de mim, você está sendo injusta comigo. Mentiiiiiiira! Quando quer MESMO, de verdade verdadeira, o homem aparece. NADA nesse mundo impede um homem de dar sinal de vida quando quer. 

O problema é que na maioria das vezes eles não fecham a porta. Como assim? Enrolam, mentem, inventam histórias, fazem cenas, enfim, tudo para que você esteja disponível sempre. E aí você fica achando que ele não te larga porque, apesar de tudo, ainda te acha especial. Socooooooooorro! Chega, né?
Se você passou por tudo isso e agora está aí se sentindo pior que o cocô da mosca do cocô do cavalo do bandido, não se desespere, você não é a única. Que me atire a primeira chapinha a mulher que nunca tomou rodo de um cafajeste. Mas, como se diz por aí, até um pé na bunda nos faz andar pra frente.
Um bom cafa é marcante e não precisa, necessariamente, ser desprezado. Basta que você aprenda a se aproveitar dele. Sim, aproveitar! Porque cafajeste existe pra te divertir, não pra ser seu. Os homens aprenderam isso há mais tempo e nós, mulheres, sempre os condenamos pela objetividade do raciocínio. Pra eles, há mulheres que servem pra casar e mulheres que existem só pra tirar o atraso. Então. Fique esperta e comece já a botar em prática sua seleção. Viva a vida com as ferramentas que ela lhe oferece e aprenda a criar as suas próprias. Defenda-se. Preserve-se. Você tem total autonomia e responsabilidade por suas escolhas. Nunca mais se esqueça que a gente tem exatamente aquilo que procura e merece.
E pra se sentir melhor, toda vez que se lembrar das tramóias do falso príncipe e se contorcer de ódio, sabendo que agorinha mesmo ele está fazendo a mesma coisa por aí, a cada suposta frase melosa (do manjado script) que ele disser à nova desavisada, imagine-o nessa situação aqui, ó:

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Eu e os bichos


Depois de ver o comentário da Tin na minha postagem anterior, fiquei aqui matutanto... Puxa, será que passei a impressão de que não me importo com animais? Se passei ou não, guenta agora um post onde falarei sobre minha queridinha...

Já tive cinco cães e todos proporcionaram alguns dos melhores momentos da minha vida. Entre eles, quatro foram rottweilers, uns amigões muito carinhosos, ao contrário do péssimo conceito sobre a raça, que se propaga por aí. No meio dessa turma, havia também a Cuca, uma misturinha de rott com tomba, portanto uma legítima "viraweiler". Ou seria uma "rott-lata"? Na mesma proporção da alegria que eles trazem, fica também um grande vazio quando se vão. E assim, quase todos já me deixaram. Primeiro foi a Afra, meiguíssima, a cachorra mais delicada que já tive, apesar do tamanhão. Depois foi a Cuquinha, que deu o ar da graça só por um ano e se foi por causa de um problema genético. Em seguida, perdi meu querido companheiro Aiko (o primeiro cão que tive), o que me causou uma dor imensa, conforme conto aqui. Finalmente quem me deixou foi a Nina, uma doçura, que também levou com ela um bocado de mim. E quem foi que ficou, pra receber todos os mimos do mundo só pra ela? A Suki, justamente a mais danadinha.

Suki é uma figurinha. No entusiasmo pela chegada dela, há anos atrás meu filho lhe criou um perfil no Orkut. Caramba, e não é que a danada recebeu um montão de convites de amizade rapidinho? Lotou o quadro de amigos e conquistou muito mais fãs que eu. Também, quem é que resistiria a isso:



Na foto acima ela estava com quatro meses e já babava no sofá azul, seu preferido até hoje (caraca!... Tá na hora de trocar de sofá, né?):


Com seis anos agora, Suki se transformou numa perua. Abandonou os lacinhos e adora uma gargantilha. Mas não fique pensando aí que ela é uma lady perfeita. Essa miserável, às vezes, dá de comer cocô, acredita? Agora mesmo ela está aqui do meu lado, querendo dar beijinho e com um bafo de matar. Eeeeeca!... Xô, cachorra!

Aliás, dizer que ela está do meu lado agora chega a ser redundante... Depois da morte da Nina, essa coisinha (coisona... Tem 50 quilos!) grudou em mim. Mas grudou meeeeesmo. Onde quer que eu vá, ela vai atrás. Bom, melhor assim, né? Pelo menos não há meio de nenhum meliante me pegar de surpresa. Nem o tarado. Hum... Pensando bem, ela bem que podia dar uma aliviada de vez em quando, né?!

Preciso confessar que morro de inveja dela num ponto: caramba, que pelos brilhantes! Vá você lavar sua cabeça com detergente canino à base de coco pra ver o que acontece. E nessas de tentar chegar aos pés da madame, vivo pedindo que minha irmã mande novidades do pet shop dela. Sim, você entendeu bem, peço shampoos e condicionadores de cachorro pra usar nos meus cabelos (pra Suki também, claro). Até fica bom, mas nunquinha que fica meramente parecido com o estado dos pelos dela. Já tentei de tudo: shampoo à base de vinho (!), condicionador com extrato de ervas (!!), máscara de chocolate branco (!!!)...  Assim não dá!

Quer ver meu marido com ódio? É quando vou dar a comida pra ela.

- Suki, vem pilipipá! Come canubinha pa ficá de barriguinha guducinha e virá uma rottweilinha bem cumpidinha!

(Tecla SAP: Suki vem papar! Come Eukanubinha pra ficar de barriguinha gorduchinha e virar uma rottweilinha bem compridinha!). Complemento: Dããããããã!!!

Ele acha o fim (será que tem razão? Hehehe!) e diz que mimo demais a cachorra. É... Negão fala isso só depois de ficar meia hora fazendo festinha pra ela quando chega em casa. É um tal de "minha bonequinha" pra cá, "princesinha" prá lá... E alisa, alisa, alisa... Só depois (muuuuuuuuuito depois) ele me enxerga. Tudo bem, porque minha sede de vingança logo é saciada. Nem adianta ele puxar o saco, porque é atrás de mim que ela SEMPRE vem. Ai, ai... Quem pode, pode. Engole essa, japa ciumento!

Enfim, mimando ou não, minha relação com animais é a mesmíssima que tenho com pessoas: de respeito total. Aliás, tudo o que tem vida - até as plantas - sempre merece o melhor que a gente pode oferecer, não é não?


Ilustração: Ceó Pontual