Quem convive com orientais sabe do que estou falando. Eles fazem tudo tão certinho que dá até raiva, ver um japa errar em alguma coisa é raríssimo. Todas as vezes em que me ofereço pra ajudar em algo, passo vergonha. Na hora de fatiar um bolo de aniversário, por exemplo, daqueles bem melecados, cheios de camadas e coberturas, não hesito em tascar a espátula, pra tudo desmoronar num segundo: é bolo de um lado, recheio do outro, cobertura esparramada... Logo sou acudida por uma boa e habilidosa alminha nipônica, que vai lá e tchuk, tchuk, tchuk... Corta tudo rapidinho, em fatias milimetricamente iguais, sólidas, perfeitinhas. Arre!
O pote de manteiga da minha casa denuncia essa diferença entre as aptidões ocidentais e orientais de forma gritante. É fácil perceber que quem passou a manteiga no pão primeiro foi o japa, porque o pote fica impecável, manteiga lisinha, lisinha, como se tivesse acabado de sair da embalagem. Mas quando chega a minha vez... Hum... A manteiga fica lunar, tamanha a quantidade de crateras. Sou duramente criticada por isso, sabe? O soldadinho de chumbo não perdoa.
E assim é que as coisas sempre acontecem. Do lado oriental, tudo certinho, bonitinho, perfeitinho, retinho, medidinho, exatinho... Do lado tupiniquim, avacalhação geral. Mas também, fafavô, hein?! Gastar momentos tão preciosos da vida, especialmente com coisas comestíveis, que no fim produzem o mesmo resultado (sim, porque até onde eu sei, cocô é tudo igual... Bom, na verdade nunca conferi pra saber se cocô de japonês sai bonitão também, era só o que faltava!) não vale a pena.
Reconheço que há inúmeras vantagens em ser disciplinado e saber manter as coisas sob controle (aprendo muito com minha turma de japinhas), só que, cá entre nós, há momentos em que o bom e velho borogodó brazuca é que dá jeito, não é não? Taí, tudo junto e misturado é muito melhor.


