terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

E dá-lhe telecoteco!

Não vou dar uma de chata e dizer que não curto o carnaval. Tudo bem que a frase batidinha "Carnaval é o ópio do povo" até tenha seu fundo de verdade, mas acho um saco olhar as coisas só pelo ângulo da seriedade absoluta.

Desafio qualquer um, até o brasileiro mais reticente, a não sacudir pelo menos um pezinho quando a bateria de uma escola de samba dá o ar da graça. Podem me achar alienada (dane-se!), mas o ritmo da bateria me arrepia, acho lindo! Vou além, considero espetacular. A sincronia de tantos instrumentos juntos, a inovadora "paradinha" em determinado momento, a cadência, a animação, enfim, tudo emociona. Sem dúvida a apresentação de uma escola de samba é um espetáculo belíssimo.

Mas há umas coisinhas que me deixam mordida. Nem sempre o enredo é reproduzido com lógica e tem carnavalesco que viaja na maionese, misturando coisas "nada a ver". O mais engraçado disso são as observações absurdas feitas pelos comentaristas da TV que exibe o desfile, como se tudo fosse tão óbvio. É jardim do éden no meio do Palácio de Versalhes entupido de africanas amamentando índios e por aí vai. E "guenta" explicação filosófica pra um desatino desse nível!

E o grau de intimidade que os apresentadores globais demonstram com o povo da comunidade, então? "Olha aí a Dona Dodô, um baluarte do morro do Xerequequê! Está com 158 anos e não muda nunca, sempre com essa energia maravilhosa!". Afffffffffff!!!! É ruim de imaginar um global de papo furado com a Dona Dodô no topo do Xerequequê, não é não?! Até parece!

E dá-lhe bunda. Bunda de todos os tipos, tamanhos, cores, texturas. Close nas partes íntimas das "passistas", com câmeras que praticamente fazem colonoscopias a céu aberto, diante de milhões de telespectadores. As peladonas, por sua vez, se mostram meiguíssimas durante a entrevista, pra logo a seguir escancarar a buzanfa na avenida. É um tal de ritmista esfregando o pandeiro dele no pandeiro da gostosa, que dá nojo de olhar. E ódio, porque são bundas perfeitas, que se dependerem da minha praga logo estarão com mais buracos que uma ponkan das mais rechonchudonas.

Sou obrigada a confessar do que mais gosto nesses desfiles: adoro ver confusão. Gente que chegou atrasada e não conseguiu desfilar, destaques se borrando de medo em cima de carros alegóricos sem nenhuma segurança, fantasia que despenca antes do desfile começar, enfim, torço pra ter babado forte.

Talvez seja por isso que me divirto tanto na apuração das notas. Dá um bafafá danado, com um montão de gente revoltada e ameaçando bater no presidente da Liga, barracos geniais. Mas me irrita profundamente aquele cara que fala o "nome e sobrenome" da escola a cada nota que vai anunciar: "Es-ta-ção-pri-mei-ra-de-man-guei-ra, deeeeez... Noooooooooota deeeeeeeeeez!". Arre!

Por fim, me dá urticária o grito da galera ao ser anunciada a escola vencedora: "É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!!!". Misericórdia, essa concordância rigorosamente equivocada estraçalha meus tímpanos!

Mas é isso aí, vamos em frente, porque agora tudo é só festa, alegria, telecoteco, balacobaco e ziriguidum!

9 comentários:

  1. Vou dar um de chato, detesto carnaval. Ainda bem que na minha cidade não tem, ou melhor, tem uma porcaria que ninguém vai. A cidade fica uma maravilha, deserta e eu fico feliz.
    Beijos

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  2. É verdade! Os barracos são geniais! Quantas vezes me peguei quase cochilando ao som do ziriguidim e bastou o locutor anunciar um barraco pra despertar quase que imediatamente!kkk Mas,devemos mesmo reconhecer a grandiosidade dos desfiles. Principalmente se levarmos em conta que são pessoas simples, povão mesmo, "ignorantes" sob o ponto de vista de alguns intelectuais e que esbanjam sabedoria!É isso aí!!!

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  3. Vou concordar com o Wanderley e dizer que tbém não sou fã de carnaval.

    Eu vejo aqueles carros alegóricos, as fantasias... quanto talento ali!!!!!

    Aí eu sempre lembro de uma frase do meu pai: se isso se chamasse "trabalho" ninguém faria tão bem. kkkkkkkkkkk

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  4. Dona Dodô no morro do Xerequequê foi ótimo! kkkkkkkkkkkkk
    Não entendo nada de escola de samba, mas quando vejo o desfile na TV tenho a impressão de que tudo é sempre a mesma coisa. Quem já viu uma escola passar viu todas. Mas não dá para esquecer do lado comunitário que isso envolve, da união das pessoas em pró de algo maior... As escolas trabalham o ano inteiro para realizar um desfile, juntam dinheiro, as pessoas trabalham juntas e tentam fazer o melhor possível em 1h de desfile... Isso eu acho admirável.
    Todo mundo tem mania de criticar os carnavais do Rio e de São Paulo, mas esquecem da safadeza a céu aberto e sem nenhum sentido que acontece no nordeste... Aquilo sim eu acho algo exagerado... As pessoas vão ao sambódromo para ver as escolas e prestigiar um trabalho sofrido de um ano, mas e os trios elétricos, onde filhinhos de papai e adolescentes em busca de sexo fácil gastam mil reais num abadá?
    Mas enfim, gosto é gosto =P

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  5. Oi Tânia,

    Tá, eu não sou fã de carnaval...mas "sacudo o meu pezinho" rsrs
    Aqui em casa, todo ano, eu e Lua comentamos os enredos desconexos, aquilo é o fim. Uma escola ou outra a gente entende o objetivo da homenagem, mas mesmo assim depois de pensar muito...
    No mais, babado é sempre babado, e se for de carnaval é ainda mais animado.
    Ontem na apuraçao das notas de SP lembrei de vc, cada vez que o cara ia dizer as notas e falava o nome da escola eu ria muito pensando: "se Tânia estiver assistindo tá com vontade de dar na cara dele!" kkkkkkkkkkkkk
    Amiga divertida, desejo à vc dias lindos e abençoados.

    Beijos ;)

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  6. Tens toda a razão nesses teus comentários sobre o carnaval! Eu não ligo muito para carnaval, embora goste de ver os desfiles pela televisão. Mais uma vez me fizeste rir com o teu jeito de comentar as coisas. Não sei se te disse que a 13 de Março vou a Guaratinguetá e irei a S. Paulo visitar a minha amiga do blog o Presente do Presente. Não sei se vai dar mas seria interessante se nos conhecessemos, não? Moras mesmo na cidade de S.Paulo? Eu não sei omde a minha amiga mora, pois conheci-a em Guará atraves de uma amiga minha que ela visitava. Quanto à cueca, é verdade. Hoje em dia já muita gente fala calcinha, mas a maioria diz cueca de senhora e cueca de homem. Eu não consigo dizer cueca, porque me habituei no Brasil a dizer calcinha e acho mais bonito. Um beijinho e até breve, amiga
    Emília

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  7. Hahahaha.. Você é duca Menéga! Como disse meu amigo Rangon: global subir o morro do Xerequequê prá falar com a dona Dodô só se for prá buscar dorgas...

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  8. Muito legal, parabéns pelas belas palavras.

    Abraço

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  9. WANDERLEY: kkkkkkk!!! Você é ótimo! Tá certíssimo, ué! Gosto é gosto. Eu também não curto aglomeração não, prefiro ficar no sossego. Mas gosto de ver a folia alheia. Pela TV, que fique bem claro.

    ELAINE: Você também não vale nada, né minha filha?! Adora um mal-feito! kkkkkkkk!!! Concordo, sabedoria e intelectualidade são coisas bem diferentes. E, em geral, a sabedoria popular é fantástica. Exemplar pra muitos diplomadinhos por aí.

    LILIAN: E não é que seu pai está cobertíssimo de razão, até o dedão do pé? Duvido que se fosse por obrigação o povão se dedicaria tanto à montagem do desfile.

    RAFA: Caramba, será que você é menino ou menina? Bom, seja como for, concordo com seu comentário. O carnaval há muito se transformou numa indústria, da qual depende muita gente. E é legal que seja assim, precisa mesmo haver espaço pra tudo e pra todos. Quanto à questão do carnaval de rua no Nordeste também acho que a espontaneidade se perdeu. Mas não fosse pela comercialização extorsiva dos abadás, na minha opinião o carnaval de lá também é genial. Os trios elétricos já fazem parte da nossa cultura e, da mesma forma, também geram muito empregos. Pense nisso.

    PATI: Sacode o pezinho, né? Danada! kkkkkkkkkk!!!! Ah, mas acertou em cheio: também acompanhei a apuração da pontuação das escolas e tive muita, mas MUITA vontade de dar na cara daquele infeliz que fala as notas. Haja paciência, meu Deus! kkkkkkkk!!!!

    EMÍLIA: São os desfiles aqui do Brasil que você acompanha pela TV? Bem, creio que sim. Me lembro que na programação de vocês há muita coisa brasileira. Quando estive em Portugal aconteceu uma coisa genial. Estava passando uma novela (não me recordo qual) que havia recém terminado por aqui. Aí eu já sabia o final e o povo ficou doidinho pra saber quem era o assassino. Me senti poderosa! kkkkkkk!!! Quanto à sua vinda ao Brasil, terei imenso prazer em ir ao seu encontro, é só uma questão de programar direitinho. Mas estou longe de Guaratinguetá, viu? Bem, deixo meu e-mail à disposição pra que possamos combinar isso melhor: (tmeneghelli@bol.com.br).

    ROSE: kkkkkkkk!!! Você acabou falando o que eu diplomaticamente omiti. Mas acho que nem nessa circunstância um global falaria com a Dona Dodô... Trataria do assunto com os netinhos dela, né? kkkkkkkkk!!!

    CELSO: Que bom te ver por aqui, volte sempre! Quanto às "belas palavras"... Ah, deixa pra lá, vai! kkkkkkkkk!!!!

    Muitas beijocas pra todos!

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