segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Amizade com ex é possível?

Ontem, num papo com meu filho, surgiu a seguinte questão: é possível se tornar amigo de ex? Nem precisei pensar muito pra chegar a uma conclusão. Oras, mas é claro que... depende. Pode ser que sim, pode ser que não... Talvez, quem sabe? Tá certo, trata-se de uma conclusão um tanto quanto inconclusiva da minha parte, mas explico melhor. Se ainda houver disposição e bem querer entre ambos, acho perfeitamente viável (e muito interessante) se transformar em amigo de ex.


É importante observar, no entanto, que uma amizade, pra ser verdadeira, exige o cumprimento de alguns requisitos básicos. Porque a gente pode se tornar ex-mulher, ex-namorada, ex-amante, ex-ficante, mas não dá pra se transformar em ex-amiga.


Ser amigo significa estar inserido num grupo muito seleto de pessoas com as quais o outro convive. É estar no mesmo patamar de pessoas que nunca se tornarão ex, haja o que houver. Não existe ex-pai, ex-mãe, ex-filho, por exemplo. Nem mesmo a morte modifica isso.


Ser amigo, mesmo, implica em conseguir superar divergências, sabendo que não se resolve perrengues com um simples pé na bunda. Quem acha que, de repente, pode se tornar ex-amigo é porque jamais foi amigo algum dia, apenas impôs ao outro uma realidade fraudulenta. E vamos combinar que ninguém merece isso, né?


É aí que está a condicionalidade de se tornar ou não amigo de ex, na minha opinião. É preciso que o tempo se encarregue de resolver conflitos, apagar mágoas, principalmente se o rompimento não aconteceu consensualmente. Entre pessoas maduras, quando a paixão acaba, a tragédia se minimiza com o tempo. Ao contrário de uma amizade, acho concebível que esse tipo de relação tenha um fim. Porque, em geral, um envolvimento romântico está diretamente ligado a dimensões mais superficiais e passageiras, como atração física ou desejo sexual. É como tão bem colocou Vinícius: "que o amor não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure". Então, se apesar do rompimento ainda exista identificação entre ambos, acho perfeitamente possível que a relação se transforme numa amizade bacana.


Para reconstruir um relacionamento em outras bases é imprescindível superar todas expectativas e frustrações, daí a importância de se dar tempo ao tempo. É preciso que a atração dê lugar a outras afinidades e que o sentimento de posse, natural num envolvimento romântico, deixe de existir também. Porque se não houver sintonia de objetivos, se ambos não estiverem dispostos a deixar no passado as lembranças dos bons ou maus momentos que partilharam como casal (por mais que tenham sido espetaculares ou terríveis), o risco de novas decepções é enorme. E de passar por grandes sufocos também...









Costumo dizer que sou a maior amiga de ex que conheço e é verdade. Posso reencontrá-los e me divertir a valer com eles ou apoiá-los no que for preciso, sem levar em conta que um dia já tivemos outro tipo de envolvimento. E isso acontece porque depois de um tempo prefiro zerar o contador e reconstruir tudo novamente, de um outro modo. Afinal, se num determinado momento deixei que alguém fizesse parte da minha vida, é porque achei que essa pessoa valia a pena. Então, por que não permitir que esse alguém continue presente, ainda que seja de outra maneira? Não, não incorporei a Madre Tereza de Calcutá. Ao contrário, meu negócio é lucrar, sempre. E só dá pra ser assim se eu somar e não subtrair, né?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Homens também entram pelo cano!

Sei lá porque, mas costumo receber alguns e-mails com pedidos de opinião sobre os mais diversos assuntos, especialmente sobre relacionamentos. Já avisei que não sou especialista em nada e, inclusive, até me acho bem tonta, praticamente uma pamonha de Piracicaba.

Mas vá lá, se meus comentários podem ajudar em alguma coisa, não custa dar um pitaquinho, né? Ontem recebi o e-mail que mostro a seguir, previamente autorizada por quem me enviou. Vê se pode:


"Oi Tania. Navegando por aí encontrei seu blog e percebi que você gosta de escrever sobre coisas do coração. Estou numa situação que só a psicanálise poderia explicar. Conheci uma garota na Internet e comecei a me corresponder com ela. Logo de cara ela disse que me adorou e que gostaria de se relacionar comigo. Trocamos mais uns 3 ou 4 e-mails. Na quarta ela me dá o número do celular. Na quinta, ligo pra ela. Ela atendeu e disse que até sentiu um frio na barriga. Marcamos um encontro pra sexta. Ela definiu a hora (21 h) e o local (um barzinho na rua que ela mora). Às 21:03 h ela me liga. Pergunta se eu já cheguei. Digo que sim e que estou sentado na primeira mesa da calçada. Ela diz que logo vai me encontrar. Eu espero até às 21:45 h. Começa uma chuva gigantesca, eu esperando e nada. Às 22:15 h eu peço a conta e vou embora. No sábado ligo pra ela pra saber se houve algum problema e só cai na caixa postal. Deixo dois recados e nada. No domingo ligo de novo e cai na caixa postal. Deixo novo recado e nada. Na segunda eu ligo, ela atende, finge ser outra pessoa, diz que vai dar o recado, volta no telefone e diz que a pessoa pra quem eu liguei pediu pra eu voltar a ligar depois de 10 minutos. Eu ligo depois de 10 minutos e só cai na caixa postal. Deixei dois e-mails de despedida pra ela. O que você acha? Dá pra entender uma coisa dessas? Hoje já é terça feira da semana seguinte e ela ainda não me ligou. Eu também não vou ligar. O que você acha disso? Obrigado."


O que eu acho disso? O QUE EU ACHO DISSO??? Rapaz!... Cê tá de brincadeira, né? Pera aí, vai... Deixa colocar um pouco de juízo na cabeça e mais amor no coração pra ver se consigo ser um tantinho menos megera... Bom, vamos lá:


Primeiro fiquei bem curiosa pra saber em que site você estava navegando quando se deparou com essa figurinha rara. Seria qualquer coisa ligada a relacionamentos "sado-masô"? Porque, fala sério!... A mulher é uma espada de samurai e você é o bucho que vai tomar a rasgada!

Mas tudo bem, de certa forma até te entendo. Também sou o tipo de pessoa que insiste em acreditar no ser humano e desconfiar é um verbo que geralmente não faz parte dos meus relacionamentos pessoais. Me abro toda com pessoas com as quais simpatizo, conto e faço coisas que nem devia... E, pior, sempre acho que os outros serão bacanas comigo também. Aí o que é que acontece? Me ferro, me ferro, me ferro! Um dia eu aprendo. É como costumo dizer: se até um hamster sabe que se apertar a campainha 1 toma choque e se apertar a 2 ganha comida, certamente eu também chego lá. Choque dói!

Então, meu caro, o que é que eu posso lhe dizer, senão pra tirar já o dedo da campainha 1? Ah, sinceramente, né?... Não sei quantos anos tem a famigerada, mas imagino que seja bem novinha, apesar de acreditar que comportamentos infantis independam de idade. O problema é que a moça é totalmente desprovida de um sentimento básico, sem o qual é impossível haver uma troca bacana: EMPATIA. Não sei se consciente ou inconscientemente, vejo que ela só faz o que tem sentido pra ela mesma, sem se importar com as consequências. Falando claramente, ela não está nem aí pra você, sinto muito.

Acho que você deve parar já de concentrar sua energia pra entender o que ela fez, porque uma coisa dessas não tem outra explicação, senão imaturidade. Não vale a pena perder tempo esperando que ela se manifeste, até porque você já viu que esse relacionamento será um eterno martírio. Que tal se voltar pra uma questão realmente importante: o que VOCÊ espera conseguir de uma garota tão bobinha? Não acha que seria muito melhor se abrir pra novas possibilidades, encontrando alguém que te trate com o respeito e atenção que gostaria de receber? Ninguém jamais deve aceitar menos do que merece. Isso só traz decepções e um sofrimento bastante dificíl de superar, vá por mim.


Ufa, me desculpe, mas fiquei feliz agora. Já não me sinto uma coió tão solitária nesse mundão cheio de gente espertinha e desencanadérrima. É chato dizer, mas dá um um alívio danado ver que homens também entram pelo cano. Se conforme, tá? No meio de tanta gente safa - e cafa - ser ingênuo é uma arte.

domingo, 8 de novembro de 2009

Sociedade hipócrita, machista, nojenta!

Tô bege, tô rosa, tô de bolinha! Hoje fiquei de boca aberta diante do que li na Folha de São Paulo: "Uniban expulsa aluna que foi à aula com vestido curto". Sob alegação de que a moça é reincidente na maneira "inadequada" de se trajar e também porque com sua exposição, traduzindo para o português claro, "estava querendo" (adivinha o quê), a mais simplória - e incompetentíssima - solução encontrada foi limpar a área, atribuindo toda responsabilidade à própria vítima e promovendo um revoltante linchamento moral.

Pra quem não viu o que houve, dá uma olhada AQUI.

Se eu já tinha ficado catatônica diante da negligência da universidade quando ocorreu o episódio, agora, com esse desfecho, vejo que a humanidade está irremediavelmente perdida. Sem discutir a atitude da moça, que na minha opinião pecou sim, mas na escolha do vestido - horrendo - o grande absurdo disso tudo foi o desdobramento que uma simples roupa causou. Não interessa se ela quer aparecer ou não, se não tem o comportamento "ideal", enfim, nada justifica a atrocidade que foi cometida.

Meu Deus, mas onde é que nós estamos? Em que época vivemos? Como é possível aceitar normalmente que um absurdo dessa proporção aconteça dentro de uma instituição de ensino, em pleno século 21? Pior: numa universidade, onde a prática da tolerância deve ser uma condição elementar, por tratar-se de um lugar que reúne pessoas de todo tipo, exclusivamente ADULTAS, com pontos de vista e crenças distintas, enfim, com características sócio-culturais variadíssimas. Olha, acredito que os pobres estudantes que foram dizimados pela ditadura, sofrendo as mais cruéis torturas e desaparecendo da face da terra apenas pelo justo desejo de expressarem livremente seus ideais políticos estejam se revirando na tumba nesse momento.
Com o triste papelão que aprontou, essa moçadinha da Uniban também entrou pra história, infelizmente como vergonha nacional.

Sociedade hipócrita e machista. Nojenta. Imunda. Estou tremendamente chocada com a formação que o pessoal da minha geração está oferecendo a seus filhos. Tenho a impressão de que quanto maior o acesso à informação, mais retrógradas as pessoas estão ficando.


Me espanta demais ver até as próprias mulheres condenando a tal moça do vestido curto. Infelizmente, se a gente considerar que a educação dos filhos ainda hoje fica quase que inteiramente sob a responsabilidade das mães, as perspectivas de um futuro melhor e menos machista são péssimas.


Menininhas ainda são criadas para se tornarem mocinhas de fino trato, boas para casar. E menininhos, desde a mais tenra idade, são treinados para usar e abusar do mulheril, desde que, obviamente, um dia sosseguem o pi
nto na companhia de uma mulherzinha "decente". Que orgulho do Joãozinho, que com apenas três aninhos já tem namorada na escolinha! Que beleza, o molequinho é danado, já beijou um montão! Tá certo, é macho mesmo. Já a Mariazinha, que é a namoradinha que o Joãozinho andou catando, tem um foguinho no rabo de assustar. E não é que essa menina é uma galinha?

Isso também me fez lembrar o que uma amiga falou dia desses, rebatendo o que tão orgulhosamente um outro amigo comentou, ao enaltecer a "ferramenta" do filho caçula. Ela lembrou muito bem: falar que o filho é dono de um "bilauzão" daqueles é lindo. Impossível é ver alguém dizendo que a filha tem uma "perseguida" de dar inveja.

Falar baixo, se comportar com delicadeza e ser "decente" são requisitos básicos na educação das mulheres. Sentar de perna aberta? Jamé!!!!!! Ao contrário, homens logo aprendem que não há limites pra satisfação das suas necessidades: coçam o saco a qualquer hora, escarram, fazem xixi em qualquer canto. Como se as mulheres não sentissem coceira, não ficassem cheias de catarro e nunca precisassem esvaziar o reservatório.


Muita gente ainda considera uma obrigação da mulher estar linda, perfumada e inteiramente disponível à espera do maridão, que pode chegar cecezento, mau-humorado e cansadérrimo do trabalho. Como se o dia dela também não fosse desgastante, especialmente considerando a normalíssima dupla jornada que muitas cumprem hoje em dia.


Quer um exemplo terrível? Esses programas de transformação de mulheres, que em geral estão o pó da rabiola por causa de relações desgastadas. Por isso vivem com a auto-estima no dedão do pé, ficam feias, mal cuidadas, com visual lamentável. E dá-lhe tratamento pra tirar gordura daqui, preencher ali, esticar acolá. Como resultado final se apresenta uma mulher novinha em folha (por fora, claro), prontinha pra agradar o benzão. Ele, por sua vez, recebe a "nova" mulher com um sorrisão, satisfeitíssimo. Agora sim, tudo está como ELE merece. No infeliz, nada de mudança. Vai continuar mal acabado e dividindo com a mulherzinha repaginada a mesma vidinha insatisfatória de sempre. A visão machista ofusca a necessidade que ambos têm de conhecer melhor a si mesmos e resolver os problemas internos que cada um apresenta, a fim de que se reconstrua a relação a partir de bases sólidas de fato, não de atitudes superficiais.


Enfim, esse é um assunto que dá pano pra manga e cabe em muitas outras postagens. Então, até a próxima!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Há um montão de vida depois dos 40!

Apesar de adorar música, não tenho paciência pra assistir musicais, especialmente em DVD. Mas fiquei encantada ao assistir "Mamma Mia!", um filme de 2008, com Meryl Streep (fabulosa, como sempre), Pierce... aaaaaiiii!... liiiiiindo!... Brosnan, Stellan Skarsgard e Colin Firth. Trata-se de uma versão para o cinema do musical que faz um enorme sucesso na Broadway, onde está em cartaz há mais de 10 anos.

Com uma fórmula bem simples, sem grandes cenários - e nem precisava, com aquele marzão grego ao fundo - ou coreografias muito elaboradas, o filme é uma graça. A interpretação é divertidíssima, bem descontraída. Achei muito legal a amarração que foi feita com os figurantes, parte fundamental do elenco, já que formam o coro para as músicas. O que também me chamou a atenção foi o fato de que notoriamente algumas canções não foram gravadas em estúdio e os vocais foram captados durante a própria filmagem, dando um realismo legal pras cenas. A trilha sonora dispensa comentários: ABBA, que simplesmente A!D!O!R!O!!! E podem falar que é brega o quanto quiserem, porque nem tô (ombrinho balançando, tá vendo?)...

Minha identificação com o filme foi total. Fora as músicas, que remetem aos bons tempos da minha adolescência, foi uma delícia ver a espontaneidade da mulherada quarentona. Me vi direitinho em Donna, personagem da Meryl Streep, uma mulher que sabe bem o que quer, que pula, ri, se diverte, mas mesmo assim é encanada até não poder mais. Tem também uma xará minha, Tanya (personagem de Christine Baranski), que leva um container de cremes pra onde for, assim como eu. Até estimulante à base de testículo de jumento a mulher carrega! Mais perua, impossível. Na verdade essa Tanya se parece mesmo é com uma amiga minha, que se tivesse nascido homem, certamente seria uma drag glamurosíssima. Bem, nesse ponto acho que não fico atrás, afinal, se eu tivesse nascido homem também seria um belo traveco (aí acho que o melhor seria ficar na frente, né? Hehehe!). De forma geral, a reunião animadíssima dessas mulheres é bastante parecida com a relação que tenho com minhas amigas, também cheia de cumplicidade e muita risada.

Mas o que achei sensacional, mesmo, é que nunca um filme captou tão bem a essência das mulheres maduras, provando que existe um montão de vida depois dos 40. As três protagonistas mostram isso com tremenda naturalidade, aprontando farras dignas de adolescentes maluquetes, sem o menor receio de cairem no ridículo.

Oras, é isso aí! Há momentos em que o importante é curtir a vida com a intensidade que ela merece. Que se danem as marcas do tempo, a seriedade, os compromissos, o paralisante Botox!

Na cena que considerei uma das melhores do filme essa alegria de viver aflora magnificamente, com as mulheres largando tudo pra trás e sacudindo as meninas que estavam adormecidas dentro delas. Não tenho a menor dúvida de que o elenco se divertiu de verdade ao gravar isso, olha só que delícia:



Mamma mia!... E não é que essa vida é bela mesmo?!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quem planta quiabo não pode colher uvas!

Hoje estou meio jururu, chateada com as atitudes de algumas pessoas. Não só por coisas que me afetam diretamente, mas também por acompanhar os momentos difíceis pelos quais passam pessoas muito importantes pra mim, por razões semelhantes.

Não sei se sou muito ingênua, apesar da minha idade, mas o fato é que indiferença e falta de reciprocidade são coisas que me machucam. Amizade verdadeira exige investimento e, sobretudo, respeito. Não dá pra ser amigo só quando não há nada melhor pra fazer ou ninguém mais conveniente pra se relacionar. Querer bem implica em preservar, dar valor, estar por perto, prestar atenção. Hoje em dia não há distância física que justifique um sumiço. Há diversas formas de mostrar interesse, seja por e-mail, telefonema, carta, sinal de fumaça, enfim, quem quer sempre consegue se fazer presente.

Ao longo da minha vida conquistei excelentes amigos, que me acompanham até hoje, chova ou faça sol. Não é um mundão de gente, até porque não acredito que alguém possa ter dezenas de amigos pra valer. Mas são pessoas que estão sempre próximas, que não se lembram de mim só quando precisam choramingar ou porque eu tenha algo interessante pra oferecer num determinado momento.
E é justamente por isso que algumas pessoas ainda conseguem me surpreender de forma tão negativa. Porque simplesmente não estão nem aí, pouco se importam com o que vai pensar ou sentir quem foi largado num canto qualquer, em detrimento de outros interesses.

Mas é assim mesmo, a vida da gente é feita de escolhas. É importante assumir a responsabilidade por tudo que nos acontece. Tudo mesmo, de bom ou ruim. Se estou vivendo uma fase ruim, seja pelo motivo que for, melhor que lamentar é tratar de me lembrar do que andei plantando. Nada acontece por acaso. De safras ruins é que a gente tira o aprendizado necessário pra plantar novas sementes e conseguir uma boa colheita. Esta é a única saída, não adianta plantar quiabo e querer colher uvas, né?!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não sou tão chata assim, vai!

E lá se foi outro domingo. Um tédio só, de novo. Com-hora-errada-no-relógio-só-porque-o-Lula-quer, saco! E chovendo, pra piorar. O que me restou, então? Dar uma chegadinha aqui pra reclamar, até porque estou sem sono (maldito horário de verão!). Sei muito bem que vou acabar ficando com fama de rabugenta, mas o que é que eu posso fazer se não cansam de me fornecer elementos pra rasgar o verbo?

Dia feio e sem nada melhor pra fazer, passei boa parte da tarde dando uma circulada por diversos canais de TV. De repente, vejo uma criança se apresentando. Menininha mais sem noção, meu Deus! Foi ao programa da Eliana (putz... se vi isso é porque assisti ao programa e, se assisti, então sou mais sem noção que a coitada da menina) pra contar piada de loira burra, vê se pode! A piada era sem graça, a menina não sabia contar, era feia desajeitadinha e trucidou a inteligência da apresentadora platinada. Ainda assim ganhou o prêmio máximo dos jurados piegas. Tudo bem, alguém há de me lembrar que trata-se de uma criança e, por isso, não tem a menor importância ser tão sem gracinha, blá, blá e outros milhões de blás. Ah, mas custa o raio da produção do programa selecionar melhor os participantes?! Enfia aquela menina sem nenhum talento ali e ainda enche o bolso da chochinha de grana. Revoltante!

O que mais me irritou, no entanto, é que eu... eu... bem... eu... NÃO GOSTO DE PIADA. Pronto, falei! Não gosto, não gosto e não gosto! Calma aí, não tenho nada contra quem aprecie, tá? Sou reconhecidamente uma chata, confesso, assumo e assino embaixo. Não uma chata completa, porque tem um montão de coisas bem-humoradas que curto bastante. Digamos que eu seja meio difícil de agradar no quesito humor, é isso.

O problema é que me parece que o estoque de piadas esteja prá lá de vencido. A safra já esgotou há pelos menos uns 20 anos atrás e o povo não se toca! É difícil ouvir uma piada que não seja reprodução literal ou parcial daquelas que você já cansou de escutar, onde, normalmente, o piadista recruta pra novas aventuras sempre a mesma turma, que já devia estar aposentada: português (me perdoem, Hermínia e Emília, mas no Brasil é assim), loira, papagaio, vovozinha surda e bichinha desvairada. Haja, né? Tá na hora de botar uns robôs sacaneando o povo na jogada, umas coisinhas mais high tech, sei lá.

Quer me ver com taquicardia? Chega aqui e vem dizendo: "Você conhece aquela do...". Pra piorar me cutuca com o cotovelo, recurso mais usado pelos piadistas pra chamar a atenção de quem está se fazendo de "migué". Ah, não!... Cheguei a um estágio tão avançado na falta de finesse, que aviso logo que se a piada não for ótima, espetacular mesmo, não vou rir.

E quando a piada é longa, então? Além do martírio de ter que ouvir, você ainda tem que congelar um semi-sorriso na cara, a fim de encorajar o infeliz a seguir até o final. Mil preâmbulos e o desfecho finalmente surge. O momento é crucial, sua reação precisa ser rápida. Aí você:

a) Ri generosamente e evita o fatal constrangimento, mas corre o sério (praticamente certo) risco de estimular o engraçadão a contar mais uma ou, pior, várias outras;

b) É ignorante como eu, não ri e dá logo outro rumo pra prosa;

c) Elimina o fdp sem dó com uma rajada de metralhadora, livrando de vez a humanidade desse tormento. Alternativa anulada, isso é feio (embora mais que merecido).

Mas tudo bem, gosto não se discute. Tem até quem ria a valer daquelas pegadinhas manjadíssimas que o Silvio Santos insiste em exibir! Meu irmão é um que adora. Imagino que em toda a face da terra só duas pessoas assistem e se divertem com aquilo: ele e a mãe do próprio Silvio Santos.

Dureza é que essa onda de piadistas na TV virou moda. No Programa do Jô tem, no Faustão também, enfim, pro meu desgosto, tem disso pra todo lado. Ao me pegar descendo o sarrafo nessa avalanche de piadas sem sal, meu marido começou a fazer uma baita apologia ao bom humor. Só faltou saltitar de alegria pra mostrar o quanto seu astral é muito melhor que o meu. Ao mesmo tempo, ele assistia às exibições dos piadistas do Faustão. Apareceu um "engraçadérrimo" e nenhuma reação do japa. Mais dois se apresentaram e o super-pra-cima não mexeu um músculo sequer pra rir, nem uma mísera risadinha amarela saiu. Ué?!... O mundo não é tããão gozado? Cadê as gargalhadas? Olhei pra ele com cara de "toma essa, linguarudo!" e aí sim é que rimos pra valer. Viu só como esse homem também é bem enjoadinho? Bonitão!

Bom, chega de reclamar. Prometo que farei o possível pra ser uma fadinha azul no próximo post. Então, até lá!

sábado, 17 de outubro de 2009

Horário de verão... Ô inferno!


Lá vem o maldito horário de verão. Odeio. Abomino. Excomungo!!! Podem falar o que quiserem, mas nada nesse mundo jamais me convencerá de que essa porcaria realmente funciona.

E quem foi o miserável que inventou esse negócio? Bem, segundo os americanos, que se vangloriam por terem inventado de um tudo neste planeta, foi Benjamin Franklin, em 1784. No Brasil o horário de verão foi adotado esporadicamente até a década de 60, quando sabiamente foi esquecido. Aí, em 1985, lá vem o então presidente Sarney, desenterrando a ideia estapafúrdia. Desde então, todo ano é a mesma desgraça, não há escapatória.

Fuçando aqui e ali, notei que a irrisória economia que essa medida proporciona apenas se justifica porque é necessário usar usinas térmicas pra produzir energia, já que as hidrelétricas, de produção mais barata, são insuficientes pra dar conta da energia que necessitamos. Não fosse por isso, simplesmente essa encrenca de mudança no horário não serviria pra absolutamente NADA.

Mesmo sendo leiga no assunto, acho que está mais que na hora de viabilizar fontes alternativas de energia, ao invés de tapar o sol com a peneira com essa droga de horário de verão. Caramba, o Brasil tem um potencial enorme pra isso! É rio pra todo lado, vento que não acaba mais, enfim, jeito pra resolver de maneira realmente satisfatória tem. Mas será que há interesse? "Ainda há um considerável descompasso entre as necessidades do país e a atuação dos órgãos ambientais e de outras instituições do Estado brasileiro, muitas vezes com interesses difusos", afirmou Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Adbid), criticando o fato de que pelo menos cinco das sete usinas hidrelétricas cadastradas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) devem ficar de fora do leilão de dezembro, onde deverão ser contratadas geradoras da energia que será fornecida ao mercado consumidor a partir de 2014.

Mas não quero nem saber de quem é a culpa, tá? O problema é que a alteração nessa simples "horinha" é um saco pra mim. Como é que consigo explicar pra minha fome que ela precisa aparecer uma hora antes do normal, só porque o Lula quer? E o sono, então? O corpo demora a se acostumar com essa mudança e o povo vira zumbi. Bom, pelo menos comigo é assim. Imagine então como fica a situação do meu filho, que é diabético e tem horários bem definidos pra aplicação de insulina e alimentação. Um rolo só. Até se adaptar completamente, já chegou a hora de mudar tudo de novo.

Falando sério mesmo, na prática não consigo ver qual é a vantagem dessa droga. A economia de energia que se faz no final da tarde é completamente descompensada pelo gasto que se tem na parte da manhã, já que precisamos acender as luzes (e usar um montão de coisas) uma hora mais cedo. Isso sem falar nas comemorações, né? Me dá nos nervos cumprimentar todo mundo por uma passagem de ano de mentira.

Ah, chega de argumentar! Detesto horário de verão, pronto e acabou. Já já vou ter que acertar ("errar" seria melhor) os relógios da casa e farei isso bufando, aviso logo. E amanhã estarei irremediavelmente estragada, que ninguém se aproxime. Se quiser se atrever, que venha... Mas vou reclamar, reclamar, reclamar o tempo todinho. Pra não perder a hora, comecei a reclamar desde já. E aí, alguém se habilita?